domingo, 26 de junho de 2016

Moçambique ganha um novo geólogo


No passado dia 20 de junho, o Salimo Mário Murrula terminou a sua Licenciatura em Geologia na Universidade do Minho.


Ele tornou-se o único moçambicano a receber formação em Portugal em paleontologia durante 6 anos (2 anos no Museu da Lourinhã + 4 anos na Universidade do Minho). Irá em breve regressar a Maputo e integrará os quadros do Museu Nacional de Geologia de forma a estudar o património fóssil moçambicano.






Este resultado é o fruto do intenso trabalho de colaboração desenvolvido no Projecto PalNiassa (www.palniassa.org).


Tem sido um orgulho acompanhar o percurso do Salimo e de certeza que em breve o seu regresso a Moçambique muito contribuirá para o desenvolvimento da Paleontologia moçambicana.






Parabéns Salimo!

sábado, 16 de abril de 2016

Luís Costa Júnior (1966-2015)

Precisamente em Abril do ano passado faleceu em Maputo um dos mais importantes impulsionadores da geologia Moçambicana: Luís Costa Júnior.

Formado em Geologia pela Universidade Eduardo Mondlane foi director do Museu Nacional de Geologia. Liderou diversas iniciativas e projectos para o estudo das gemas, recursos minerais e paleontologia nacional. Descreveu por exemplo a primeira espécie de vertebrado fóssil autóctone de Moçambique, a: Niassodon mfumukasi (= a rainha do Niassa).

Apostou sempre na formação de todos os que trabalhavam com ele e estabeleceu inúmeras parcerias internacionais. Em Portugal colaborou com diversas instituições, desde o Museu da Lourinhã, Fundação Calouste Gulbenkian, Universidade do Minho, Instituto Superior Técnico, Instituto Gulbenkian de Ciência, Geoparque Arouca, entre outras.



Luís Costa Júnior, em visita ao Museu da Lourinhã (2012)

Sem preconceitos, desenvolveu esforços para unir a CPLP num bloco económico que soubesse utilizar os recursos geológicos comuns como forma de influenciar e promover o desenvolvimento em diversos países.

Lembro-me de me dizer recorrentemente que as reservas de petróleo, gás natural, carvão e pedras preciosas que existem na CPLP são mais do que suficientes para poder mudar muita coisa no tabuleiro geopolítico internacional. A CPLP possui recursos naturais que devem ser só superados pela OPEP. Quantos de nós já se atreveram a pensar que a CPLP pode um dia ditar o preço do petróleo?

Ao longo dos últimos anos tive a oportunidade de poder conhecê-lo bem.
Era um gigante.
Tinha visão, inteligência, e uma generosidade incomuns.
O seu projecto para a promoção, investigação e conservação da geologia moçambicana representa hoje em dia um exemplo típico de uma abordagem moderna alicerçada no desenvolvimento sustentável da ciência num país como Moçambique.

Sabia o que o seu país necessitava e conhecia a forma de chegar lá. Acreditava nos projectos em que se envolvia e confiava na sua equipa sendo sempre leal com todos. Apoiou e garantiu financiamento para que a maior parte dos seus trabalhadores pudessem estudar no estrangeiro.

O Museu Nacional de Geologia era a sua casa. Deixou-nos uma instituição única que agora se encontra em muito boas condições e em excelentes mãos para continuar a desenvolver os seus 3 grandes pilares: a investigação, conservação do património e a divulgação de ciência.

Foi um prazer poder ser seu amigo, ensinou-me que acima de tudo estão as pessoas e que a ciência deve servir todos e não apenas uma classe de iluminados.

As suas qualidades humanas superavam qualquer outro aspecto da sua personalidade, foi um verdadeiro líder.
Moçambique perdeu um gigante mas a sua obra fica.

Obrigado por tudo Luís, continuaremos a desenvolver a ciência em Moçambique, essa é a melhor homenagem que te poderá ser feita.





sexta-feira, 15 de abril de 2016

Ovos e Embriões Fósseis da Lourinhã, a sua Evolução e Charles Darwin

Decorreu no passado fim de semana mais uma acção de divulgação de ciência focada na temática da Evolução e Paleontologia.

Falou-se muito de fósseis, de evolução das espécies e do fundador da teoria de evolução por selecção natural: Charles Darwin.

O Museu da Lourinhã esteve representado pelo seu paleontólogo Rui Castanhinha, doutorado em Biologia Evolutiva e especialista em embriões fósseis.

Carlos Marques da Silva e Rui Castanhinha, os dois palestrantes no dia dedicado à Paleontologia 
Esta atividade teve lugar em Oeiras na Exposição a "Viagem de Darwin" e conta com o apoio da Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva.

exposição encontra-se patente no Templo da Poesia (Parque dos Poetas) em Oeiras e conta com o GEAL- Museu da Lourinhã como instituição parceira. Foi precisamente para inaugurar as intalações do magnífico edifício que a acolhe, que a Câmara Municipal de Oeiras encetou esforços para a montagem desta exposição.

Importa salientar que a grande maioria das peças agora expostas correspondem ao espólio da maior exposição temporária que alguma vez teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian: "A Evolução de Darwin". Ultrapassou os 160 mil visitantes em apenas 4 meses! 
Essa exposição decorreu em 2009, no ano Darwin, e comemorou os 150 anos da publicação da "Origem das Espécies" e o bicentenário do nascimento de Charles Darwin. Teve ainda a particularidade de ter sido nesse ano a maior exposição do mundo dedicada ao naturalista inglês. 

Notícias da altura aqui:


exposição andou em digressão entre várias cidades em Espanha e Portugal e encontrou por agora a sua "casa" em Oeiras.




O Museu da Lourinhã emprestou um dos seus ninhos de ovos de dinossauros que se encontram em estudo para que pudesse ser exposto e contou agora com uma palestra sobre ovos de dinossauros da Lourinhã e a sua evolução.

O título foi "Ossos duros de estudar: os embriões de dinossauros depois da evolução de Darwin".

Teve ainda lugar no mesmo dia uma outra palestra dada pelo Professor de Paleontologia da Faculdade de Ciências, o Doutor Carlos Marques da Silva com o título: "Geologia, uma paixão de Darwin"

No final os dois paleontólogos ficaram a responder a questões do público de todas as idades.

O ciclo de palestras continuará nos próximos meses e pode ser consultado aqui:

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Técnica sobre a experiência

Tive o Sr. Gaspar (o nosso canalizador) cá em casa. Veio remendar um cano roto. Como de costume começou por rodar a torneira de segurança para a direita. 
- Isto assim é que é, temos de ir além do que é necessário, além do que dizem todos o manuais. Já devia ter feito isto muito antes de eu chegar.
Continuava a sair água. 
Torceu ainda mais. 
Continuou a sair água e insistiu de novo. 
- Isto do que precisa é de torcer à direita!
... pedi delicadamente que parasse e sugeri experimentar para a esquerda... 
- Você só sabe queixar-se, tá louco, isto só lá vai se for para a direita. Toda a gente sabe isso, afinal quem é o especialista aqui? respondeu o Sr. Gaspar.
Pronto, continuo com a casa alagada. 
Pelo menos deixei de me queixar e estou a fazer força, agora com ele, para continuar a rodar para o mesmo lado. Se toda a gente sabe que é para a direita, para quê experimentar outra coisa?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Henslow



Nasceu no dia de hoje John Stevens Henslow (6 February 1796 – 16 May 1861).
Tutor de Darwin em Cambridge e Naturalista (com especial interesses em Botânica e Geologia). Apologista do estudo da biodiversidade, foi talvez a pessoa que mais influência teve sobre Darwin (segundo as suas próprias palavras) ao ensinar-lhe a relevância da variabilidade natural, noção essencial para a compreensão e formulação da teoria da evolução.
Ficou conhecido como o exemplo de um excelente professor, é ainda hoje famosa a expressão "No Henslows, no Darwins."
Obrigado Henslow!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

REVISÃO DA ESTRUTURA CURRICULAR JANEIRO DE 2012 CONTRIBUTO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE BIOLOGIA EVOLUTIVA

Transcrevo aqui a carta enviada pela APBE ao Ministério.


"A aprendizagem ao longo dos anos lectivos deve estar organizada em torno de ideias e conceitos centrais a cada disciplina, para que estes possam ser explorados com níveis de complexidade crescente, desde o ensino pré‐escolar (National Research Council [NRC], 1996 e 2007). Tendo em conta que as características das espécies e as suas interacções ecológicas são o resultado de uma longa história evolutiva, a evolução constitui para a Biologia o tema chave e central que permite inter‐relacionar conhecimentos provenientes de todas as sub‐disciplinas da Biologia (National Academy of Sciences [NAS], 1998; National Science Teachers Association [NSTA], 2003). Tal como explicou Dobzhansky em 1973, "Nada faz sentido em Biologia senão à luz da evolução". Reconhecer a ocorrência de evolução biológica e perceber os mecanismos que a promovem permite aos alunos inter‐relacionarem conceitos de diversas áreas da Biologia e integrá‐los num quadro mais vasto de conhecimentos, facilitando desta forma a compreensão do mundo natural e dos sistemas biológicos e ecológicos. Assim, a Evolução constitui um pilar para a organização do programa de ensino da Biologia, sendo fundamental para o entendimento da história da Vida na Terra permitindo, por exemplo, enquadrar a diversidade taxonómica ou compreender a origem e caracteristicas da nossa própria espécie.

 

A compreensão dos processos evolutivos é ainda fundamental para outras áreas do conhecimento, uma vez que a evolução não é uma propriedade exclusiva do mundo natural mas de várias actividades humanas. De facto, conhecimentos provenientes da Biologia Evolutiva estiveram na base de importantes desenvolvimentos científicos e tecnológicos em áreas tão importantes e diversas como a Medicina, a Psicologia, a Ciência Forense, a Informática, a Linguística e várias áreas da Engenharia, entre outros (Futuyma et al. 1999; Bull e Wichman, 2001; NAS, 2008). Estes conhecimentos são ainda essenciais para a compreensão de problemáticas com impactos na Saúde Pública (como a evolução de patogénes resistentes a fármacos), na Economia (como a evolução do pescado e a evolução de resistência a pesticidas), naqualidade de vida das pessoas ou na conservação de espécies e ecossistemas, sendo por isso fundamentais para o exercício de uma cidadania informada (NAS, 1998; NSTA, 2003).

 

De acordo com o actual programa curricular português, a Evolução Biológica e os mecanismos evolutivos apenas são leccionados no Ensino Secundário e apenas aos alunos do curso de ciências e tecnologias. Desta forma, muitos dos estudantes que frequentam o sistema de ensino português não contactam com qualquer conhecimento sobre a Teoria da Evolução Biológica, não atingindo por isso a literacia científica necessária para a compreensão global dos sistemas biológicos e para o exercício de uma cidadania informada (NSTA, 2003). A ausência de exposição aos conteúdos sobre evolução ou a sua introdução tardia permite que os alunos adquiram concepções erróneas sobre evolução, o que dificulta o processo de aprendizagem e serve de obstáculo à construção de novo conhecimento (revisto em Martins et al., 2007). Este facto assume particular relevância se atendermos a estudos anteriores que descrevem que a existência de concepções alternativas relativas à evolução e mecanismos evolutivos é comum em adultos e crianças, independentemente da sua cultura, país de origem, convicção religiosa e nível cultural (revisto em Alters e Nelson, 2002, NRC, 2007 e Macfadden, 2008).

 

Pelo atrás exposto, a Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva (APBE) vem por este meio propôr que a Evolução Biológica e todos os mecanismos evolutivos (selecção natural, artificial e sexual e deriva genética) sejam formalmente incluídos nos programas do Ensino Básico, de forma a dotar todos os alunos das ferramentas necessárias à compreensão dos sistemas biológicos. No seguimento das recomendações do NRC (1996 e 2007), a APBE propõe ainda que o conceito de Evolução Biológica seja formalmente incluído no programa do 1º Ciclo, e que os processos evolutivos e suas consequências sejam explorados de forma transversal em Biologia, com níveis de complexidade crescente, ao longo dos níveis de ensino subsequentes. Sempre que possível, a evolução deverá ser explorada através de actividades experimentais e/ou actividades práticas que fomentem a participação e o interesse dos alunos por este tema e facilitem a compreensão de conceitos e mecanismos (ver por exemplo Nadelson et al., 2009 e http://playingevolution.blogspot.com/). Finalmente, a APBE propõe que sejam debatidas com os alunos as implicações e aplicações da Evolução Biológica no seu quotidiano e problemáticas da actualidade.

 

Referências

Alters B.J., Nelson C.E. (2002).Perspective: teaching evolution in higher education. Evolution 56(10): 1891‐1901.

Bull J.J., Wichman H.A. (2001). Applied Evolution. Annual Review of Ecology and Systematics, 32: 183‐217.

Dobzhansky T. (1973). Nothing in Biology makes sense except in the light of Evolution. The American Biology Teacher, 35: 125‐129

Futuyma D.J. (1999). Evolution, science and society: evolutionary Biology and the national research agenda. The State University of New Jersey, New Brunswick, NJ. Disponível em http://people.bu.edu/cschneid/BI504/Readings/EvolutionWhitepaper.pdf

Macffadden B.J. (2008). Evolution, museums and society. Trends in Ecology and Evolution 23(11): 589‐591.  

Martins I.P., Veiga M.L., Teixeira F., Tenreiro‐Vieira C., Vieira R.M., Rodrigues A.V., Couceiro, F. (2007). Explorando Educação em Ciências e Ensino Experimental. Formação de Professores. Ministério da Educação, Direcção‐Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, 2ª Edição.

Nadelson, L., Culp, R., Bunn, S., Burkhart, R., Shetlar,R., Nixon, K. (2009). Teaching evolution concepts to early elementary school students. Evolution Education Outreach, 2, 458‐473.

National Academy of Sciences (1998) Teaching about Evolution and the Nature of Science. Washington DC.

The National Academies Press National Academy of Sciences and Institute of Medicine (2008). Science, Evolution, and Creationism. Washington DC.

The National Academies Press. National Research Council (1996). National Science Education Standards. Washington DC. The National Academies Press.

National Research Council (2007). Taking Science to School. Learning and Teaching Science in Grades K‐8. Washington DC.

The National Academies Press. National Science Teachers Association. An NSTA position statement: The teaching of evolution. NSTA; 2003."




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

PORTUGAL TEM AGORA ASSOCIAÇÃO DE BIOLOGIA EVOLUTIVA

O que têm em comum a biodiversidade, o vírus da Sida, as diversas formas de comunicação humana e a economia empresarial? O facto de evoluírem ao longo do tempo influenciados pelo meio com o qual interagem, por seleção dos mais aptos e/ou devido ao acaso. Já em 1973, o geneticista ucraniano Theodosius Dobzhansky afirmou que “Nada faz sentido em Biologia se não à luz da evolução”.

No entanto, a evolução é uma propriedade não apenas do mundo natural mas de várias atividades humanas e compreender de que forma esta se processa é crucial para o desenvolvimento de diversos setores económicos e sociais. De facto, a aplicação de conhecimentos e de métodos desenvolvidos para estudar a evolução biológica tem permitido o rápido desenvolvimento de áreas tão importantes e diversas como a Biologia e Conservação, a Biotecnologia, a Medicina, a Psicologia, a Ciência Forense, a Informática, a Economia, a Linguística e várias áreas da Engenharia, entre outros.

Reconhecendo a importância que o estudo da Evolução tem para o desenvolvimento cultural, social e económico do nosso País, em dezembro de 2011 foi fundada a Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva (APBE).

Iniciativa de cientistas evolutivos a trabalhar em Portugal, esta associação propõe-se contribuir para o desenvolvimento da Ciência Evolutiva feita no país e para a sua divulgação junto da comunidade científica nacional e internacional. Constitui ainda um dos principais objetivos da APBE contribuir ativamente para fomentar o conhecimento e interesse da sociedade portuguesa em relação à Evolução e à forma como esta influencia múltiplos aspetos da vida das pessoas.

APBE - http://www.apbe.pt/

Para mais informação sobre a Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva, é favor contactar:
* Hugo Gante (Universidade de Basel, Suiça) | E-mail: hugo.gante@unibas.ch | Tel. +41 61 267 03 05
* Rui Castanhinha (Instituto Gulbenkian de Ciência e Museu da Lourinhã, Portugal) | E-mail: rcastanhinha@gmail.com | Tel. +351 21 446 4651

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva

Caros Colegas,

Ao longo de vários anos a comunidade científica na área da Biologia Evolutiva tem vindo a crescer em Portugal. São prova disto as diversas teses académicas e artigos publicados na área por investigadores portugueses que trabalham nos melhores centros de investigação nacionais e estrangeiros, bem como, a organização de sete encontros nacionais ao longo de todo o país. 

Em resultado deste crescimento surgiu a necessidade da criação de uma organização que representasse todos estes investigadores e que pudesse promover e apoiar a comunidade científica que se dedica ao estudo e divulgação da Biologia Evolutiva em Portugal. 

No último Encontro Nacional de Biologia Evolutiva foi criada uma comissão fundadora que tratou de oficializar e criar a Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva. Desde então escreveram-se os estatutos, foram recolhidas quotas e tratou-se do registo oficial. 

A APBE é uma realidade e é do interesse de todos nós que o número de associados cresca e que existam mais pessoas envolvidas no desenvolvimento da nossa associação.

Esperamos que todos os biólogos evolutivos que se identificam com os nossos objectivos estatutários se possam associar e fazer parte desta nossa associação.

Os membros fundadores da Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva,

Isabel Gordo
Rui Castanhinha
André Levy
Hugo Gante
Rita Campos
Alexandra Pinto 
Alexandra Lopes
Sara Branco
Ricardo Pereira 
Paula Campos
Rui Faria




sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Projecto PalNiassa wins National Geographic Award




The National Geographic Society's Committee for Research and Exploration has awarded us a Young Explorers grant in support of our proposed project "Projecto PalNiassa: mammal ancestors from an unexplored basin from the end-Permian Mass Extinction event".

O National Geographic Society's Committee for Research and Exploration premiou-nos com um Young Explorers grant  pelo nosso projecto "Projecto PalNiassa: mammal ancestors from an unexplored basin from the end-Permian Mass Extinction event".

Este apoio vem garantir a viabilidade da próxima expedição a Moçambique. Desta forma poderemos dar continuidade aos trabalhos que a equipa PalNiassa tem estado a desenvolver.




Texto escrito por Ricardo Araújo e Rui Castanhinha.



domingo, 30 de outubro de 2011

A vergonha no fim de Kadafi

Copio o que escrevi há quase cinco anos atrás, aquando da execução de Sadam:


"2006 termina com uma lição: aprendemos muito pouco.

Quem condena um culpado não pode, como penitência, seguir-lhe o exemplo."

Agora, estamos piores.

Porque, quem executa alguém não julgado deixa de ser suficientemente diferente para se considerar moralmente superior.


E é tudo isto ainda mais triste, pois não tendo havido nenhum julgamento, Kadafi morre inocente nas mãos de um novo regime que não nasce sem mácula.

Entrevista RTP África











sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Relatórios e tretas...





Recentemente recebi, de um bom amigo, notícias sobre um relatório já com alguns anos.

É um relatório sobre a evolução dos números e práticas de aborto no mundo, desde 1995 até 2003. Foi executado pelo Guttmacher Institute que tem por objectivo: 
"The Institute’s overarching goal is to ensure the highest standard of sexual and reproductive health for all people worldwide".


Dito isto e perante este tipo de estudos, eu não durmo descansado depois de saber que segundo esse mesmo relatório, já morreram bem mais de mil milhões de crianças antes de nascerem e uma das principais recomendações é "Expand access to legal abortion and ensure that safe and legal abortion services are available to women in need." 
Reparem que nem referem prazos nem datas limite, o importante é fazer mais e em mais sítios com mais meios. Para acabar com o aborto, vamos... expandir o acesso a aborto legal! 

Grande ideia, como é que ninguém pensou nisto antes?


Mais, neste relatório não há nem uma só palavra sobre a política de filho único na China e muito menos sobre a política de aborto forçado e/ou esterilização forçada, que ainda hoje é uma realidade no país que mais abortos faz em todo o mundo. Nada disso, o que faz falta é "Expand access to legal abortion and ensure that safe and legal abortion services are available to women in need."


Depois, tenho pena que o relatório não inclua os dados desde os primeiros anos em que o aborto foi legalizado no respectivos países, refere-se apenas a dados posteriores a 1995. Podem ver que pelo menos em alguns países aconteceu uma explosão nos número de abortos: http://conjurado.blogspot.com/2007/01/espanha-estados-unidos-e-gr-bretenha.html (os gráficos do link referem-se a abortos registados oficialmente desde os primeiros anos da legalização nos respectivos países e não apenas a dados posteriores a 1995).


Mas, e mesmo que tudo isto não fosse verdade e bastante para enojar qualquer um, saltam ainda à vista uma completa falta de coerência na argumentação e uma confusão clarissima.


A incoerência vem da aparente preocupação do relatório em demonstrar que a legalização ajuda a baixar o número total de abortos.
Como se isso fosse um problema para quem acha que tudo isto deve ser apenas uma questão de consciência da mãe. 
Vejamos se não é verdade...
Se partimos do princípio que não há problema em legalizar o aborto porque é uma questão de consciência, então por que razão estamos preocupados com o facto de a legalização fazer ou não baixar o número total de abortos?
Ou seja, se acho que fumar charros é apenas uma questão de consciência individual, por que razão me hei de me preocupar se a sua legalização baixa ou aumenta o número de charrados? Se fumar um charro é tão legitimo como fazer um aborto eu quero lá saber se há mais ou menos charrados(as) a engravidar e a abortar do que no ano passado!


Para ser claro, cá vai o raciocínio:

Nenhum de nós se deve preocupar em baixar o número de acções legítimas.
Fazer um aborto é legítimo.
Logo, não nos devemos ralar com a diminuição do número de abortos.


Há algum erro que eu não esteja a ver?

O que é verdade é que, por mais coerente que seja, nunca ouvi ninguém defender algo parecido à conclusão do silogismo. Todos dizem que estão muito empenhados em fazer baixar o número de abortos e toda gente julga que isso é óbvio e nada tem que ver com "lado da barricada" em que se está. Ora isso não é bem verdade.
Se não há nenhum erro em nenhuma das premissas, temos de aceitar a conclusão e, de facto, pode perfeitamente deixar de fazer qualquer sentido continuarmos preocupados com as variações dos números de uma prática que consideramos legítima.
  
Podemos até cair numa posição tão caricata quanto coerente ao acabarmos por nos preocupar com a diminuição do número de abortos. Se há menos mulheres a praticar abortos então talvez esteja a haver uma pressão social para diminuir uma acção que é perfeitamente legítima, individual e que não deve nunca ser contrariada. Se andamos a fazer menos abortos talvez seja porque a sociedade se anda a meter na vida das mulheres e devemos contrariar esta intromissão inaceitável... ou, ou talvez isto seja ir longe demais.

No entanto é tudo resultado da confusão que mencionei antes.
Ela existe, é clara e baralha legitimidade com conveniência.

Mesmo que a legalização fizesse diminuir o número de abortos ela só deveria ter lugar se fosse legítima.
Uma lei para existir tem de ser legítima e conveniente, ambas as condições são necessárias e só juntas são suficientes para que possamos legislar algo.
Por mais conveniente que fosse para identificar as pessoas envolvidas ou fazer diminuir as doenças sexualmente transmissíveis, é por não ser legítimo violar crianças que nunca legalizaremos a "pedofilia em establecimiento legal de saúde". Até podia ser conveniente para fazer baixar o número de DST mas nunca seria legítimo porque está em causa um dano grave na vida de outra pessoa (ring a bell?). 



São sempre necessárias as duas condições: legitimidade e conveniência.
E é por não ser conveniente que não se despedem centenas de milhares de funcionários públicos para reduzir o défice do estado. Esta medida é tão legítima como cortar dois meses de salários anuais e o nosso parlamento tem toda a legitimidade depois de eleito para poder fazer qualquer uma das coisas. No entanto parecem estar a optar pela segunda hipótese por acharem que, embora tão legitima como a primeira, é mais conveniente para todos. Mais uma vez só quando temos as duas condições satisfeitas é que devemos aceitar uma medida.


O ponto fundamental é saber se o aborto é legítimo ou não. Se é legítimo, a sua legalização resulta do facto de ser legítimo e não do facto de fazer diminuir a sua prática. E se o aborto é ilegítimo, como podemos legitimá-lo? Ou basta dizer que é extremamente conveniente para passar a ser legítimo?


Dizer "vamos legalizar X mesmo sabendo que é ilegítimo porque se o fizermos isso é muito conveniente pois ajuda a diminuir esse mesmo X", não me parece que seja uma boa prática pois deixa a porta aberta a todo o tipo de legalização. Trocando, na frase anterior, "X" por "pedofilia", "infanticídio" ou "aborto até aos 9 meses" talvez ajude a obviar o ridículo da questão. 
Se não o aceitamos nos três exemplos anteriores por que razão está já tudo bem quando falamos em "aborto até às Y semanas"? O que mudou?


Concluindo. Fico contente que, se os números do relatório estiverem correctos, desde 1995 até 2003, o número de abortos legais esteja alegadamente a diminuir no mundo mas julgo que as políticas de planeamento familiar e aumento global das condições de vida sejam as verdadeiras responsáveis por esse aparente facto: apesar do aborto ser legal e não por causa de o ser!
Mas continuo muito triste por saber que, todos os anos, morrem mais de 40 milhões de crianças antes de nascerem, porque a sociedade onde todos vivemos apenas tem para oferecer a uma mãe desesperada e grávida um aborto e não uma vida digna para deixar crescer o seu filho.
No final de lerem este texto devem ter sido abortadas a pedido da mãe, mais de 400 crianças! 
É tão simples que até arrepia, mais de um aborto por segundo é muita morte para tão pouca desculpa.  

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ceci n'est pas un stormtrooper

Qu'est-ce?



Fósseis de Moçambique, terra da boa terra.

Desde 2009 que uma equipa de investigadores Portugueses e Moçambicanos tem vindo a desenvolver, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, uma campanha de estudo dos fósseis de Moçambique intitulada Projecto PalNiassa (www.palniassa.org).

Há qualquer coisa de diferente na cor e no cheiro de África. Não é fácil saber o quê, mas existe. Quando se chega, há uma ligação com a terra, com as pessoas, com o ar e, sem se saber muito bem porquê, não conseguimos deixar de nos sentir em casa. O título "terra da boa gente" dado por Vasco da Gama após ter aportado em Moçambique no séc. XV é, ainda hoje, justamente célebre. Muito embora a fama da gente tenha vingado, pouco se sabe sobre a terra que essa mesma gente pisa. O solo de Moçambique é fecundo em recursos minerais e quase sempre fértil, mas há ainda muito por descobrir.


África, e especialmente Moçambique, não tem sido alvo de intensas campanhas paleontológicas. Muitas são as zonas com conflitos armados e é comum existirem áreas interditas por estarem minadas. Assim, e pela primeira vez, Moçambique conta com um projecto internacional exclusivamente dedicado ao estudo da paleontologia de vertebrados em todo o seu território - o projecto PalNiassa.

A equipa do projecto é composta por investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (Rui Castanhinha), do Museu Nacional de Geologia (Maputo), da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade Metodista do Sul (Dalas) e do Museu da Lourinhã. O projecto tem por objectivos fazer investigação, preservar o património paleontológico moçambicano e divulgar a ciência. Este triângulo de investigação, conservação, e educação é central em todo o trabalho desenvolvido pela equipa PalNiassa.

No âmbito da investigação foram recolhidos na província do Niassa mais de meia tonelada de fósseis que foram transportados para Portugal, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da TAP. Os animais descobertos encontram-se em excelentes condições e estão extremamente completos. A sua maioria pertence ao grupo evolutivo de onde surgiram todos os mamíferos: os sinapsídeos. Viveram há aproximadamente 250 milhões de anos, no final do Pérmico, período geológico que antecedeu a maior extinção visível no registo geológico. Julga-se que tenham desaparecido na transição do Pérmico para o Triásico mais de 95% de toda a biodiversidade do planeta, logo, importa compreender a fauna que habitou o sudoeste africano, numa altura em que todos os continentes se encontravam ligados.

Todo o material encontrado é património da República de Moçambique e regressará ao país de origem com técnicos formados, instalações museológicas para os receber e conhecimento científico para enriquecer o património não material moçambicano. Para além de vários artigos em curso e já submetidos a revistas científicas,  na passada semana um dos fósseis mais completos foi analisado por tomografia de raios-X nas instalações alemãs do sincrotrão de Hamburgo (www.desy.de) de forma a reconstruir virtualmente o seu interior.


Neste momento existe um estagiário moçambicano (Salimo Mario) a receber formação em preparação de fósseis no Museu da Lourinhã com uma bolsa financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian. Este será o primeiro preparador de fósseis da história de Moçambique e estão em curso planos para  a construção do laboratório de estudos paleontológicos em Maputo. Alguns destes fósseis podem ser observados no Museu Nacional de Geologia em Maputo bem como, até dia 9 de Outubro, numa exposição temporária do Museu da Lourinhã.

O projecto PalNiassa continuará por mais anos sempre em busca de mais descobertas, mais cientistas e melhores recursos para o desenvolvimento da ciência em Moçambique.


Por: Rui Castanhinha

Publicado na Newsletter da Fundação Calouste Gulbenkian, Outubro de 2011 



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Fósseis de África no Museu da Lourinhã

Cartaz da Exposição Temporária de Fósseis de África

O Museu da Lourinhã apresenta, entre os dias 6 de Agosto e 9 de Outubro, uma exposição temporária, representativa das descobertas paleontológicas efectuadas em Angola e Moçambique por paleontólogos do Museu, em colaboração com investigadores de universidades locais e estrangeiras.

Entre as peças expostas, está um fóssil de Sinapsídeo (grupo de animais que estão na origem de todos os mamíferos), proveniente de Moçambique e que conta mais de 250 milhões de anos (período Pérmico). De Angola estarão expostos vários exemplares, incluindo um de Angolachelys mbaxi que viveu há 90 milhões de anos (período Cretácico).


Alguns destes achados estão a ser preparados por um técnico moçambicano, bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, que está no Museu da Lourinhã a receber formação em técnicas de preparação de fósseis, encontrando-se disponível aos sábados e domingos para dialogar com o público visitante e relatar a sua experiência.

O Museu da Lourinhã está envolvido em dois projectos dedicados a África:PaleoAngola e PalNiassa respectivamente em Angola e Moçambique. Estes Projectos têm como missão descobrir, recolher, preparar, estudar, preservar e expor fósseis, sobretudo de vertebrados. Constituem um contributo muito importante para a ciência e, em particular, para a afirmação daqueles países, no campo da investigação paleontológica, bem como para o fomento do gosto pela ciência, designadamente, junto das populaço;ões locais.

Durante o mês de Agosto existem visitas guiadas às 11:00, 15:00 e 17:00, estando o Museu aberto todos os dias (no resto do ano encerra às segundas-feiras e feriados).

Saiba mais visitando



Logo Projecto PalNiassa https://sites.google.com/site/palniassa/home

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Projecto PalNiassa: artigo na Newsletter da GSAf (Geollogical Society of Africa)



Saíu na nova Newsletter da Geological Society of Africa um pequeno artigo sobre o Projecto PalNiassa. A interacção com a academia moçambicana, nomeadamente o geólogo Lopo Vasconcelos (mas também Mussa Achimo, João Mugabe, entre outros) tem sido crucial para o desenrolar do Projecto PalNiassa, do qual resultou este pequeno artigo sobre o Projecto. Estamos juntos!



Texto: Ricardo Araújo

terça-feira, 26 de julho de 2011

Reportagem RDP África

Seguem as últimas novidades sobre o projecto PalNiassa.
Desta feita fomos entrevistados pela RDP África.
Podem ver as fotos deste ano tiradas durante Junho e Julho em Moçambique.






segunda-feira, 25 de julho de 2011

Científica Mente 2011

Transcrevo a notícia RDP África sobre o nosso projecto.

PalNiassa 2011 - Moçambique investe no crescimento da Paleontologia no país

2011-07-23 RUI CASTANHINHA E RICARDO ARAÚJO REGRESSARAM A MOÇAMBIQUE PARA A TERCEIRA EDIÇÃO DO PROJETO PALNIASSA. DESTA VEZ SALIMO MURRULA, O ESPECIALISTA MOÇAMBICANO QUE ESTÁ EM PORTUGAL A FAZER FORMAÇÃO EM PREPARAÇÃO DE FÓSSEIS, ACOMPANHOU-OS. O MUSEU NACIONAL DE GEOLOGIA, EM MAPUTO, RECEBEU O PRIMEIRO VESTÍGIO RECOLHIDO NAS ANTERIORES EDIÇÕES, JÁ TRATADO E ESTUDADO.
PalNiassa
A Paleontologia em Moçambique continua a crescer e consolidar-se. Passos seguros estão a ser dados pelo país, a partir de um projeto que começou de forma relativamente modesta em 2009, o PalNiassa. Nessa altura, dois jovens investigadores portugueses, Rui Castanhinha e Ricardo Araújo, foram procurar fósseis no Niassa. Contaram com apoio logístico das instituições moçambicanas e fizeram, logo nessa primeira expedição, descobertas muito interessantes. O esqueleto completo de um sinapsídeo, um pequeno vertebrado, antepassado longínquo dos mamíferos, terá sido a mais entusiasmante, mas outros vestígios da vida do Pérmico, há 250 milhões de anos, foram recolhidos e estão ainda a ser estudados.
Em 2010, na segunda expedição, o projeto cresceu e iniciou-se a ponte em sentido inverso: um técnico moçambicano iniciou uma formação de um ano, em Portugal, no Museu da Lourinhã, como preparador de fósseis, ao abrigo de uma bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Salimo Murrula está há sete meses em Portugal e quando regressar será o primeiro preparador de fósseis da história de Moçambique.
PalNiassa
O Museu Nacional de Geologia de Moçambique irá receber os fósseis à medida que estejam completamente preparados e estudados. O primeiro vestígio já chegou a casa e muitos outros, espera-se, farão esse mesmo caminho de regresso.
Nesta edição falamos com Rui Castanhinha, nesta altura a fazer um doutoramento no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras em Portugal, com Ricardo Araújo, a fazer um doutoramento na Universidade Metodista do Sul, no Texas, nos Estados Unidos e com Salimo Murrula especialista moçambicano a fazer formação no Museu da Lourinhã, em Portugal.




por : Ana Paula Gomes
Tags : Moçambique,Portugal

sábado, 23 de julho de 2011

Robert FitzRoy, Julho 23

1836 July 23
Capt. FitzRoy was concern that he may have taken faulty measurements at San Salvador so he ordered the Beagle on a detour back to South America.

O mal amado capitão do Beagle onde Darwin abriu os olhos para o mundo.
A sua personalidade, em muitos aspectos oposta a Darwin, muito deve ter contribuído para a consolidação e revisão de muitas das ideias revolucionárias deste brilhante cientista.
É também o oposto de Henslow, FittzRoy é um personagem carrancudo, autoritário e fundamentalista (Um típico capitão da marinha britânica do séc. XIX). Mas é, em igual medida, um homem forte, leal, honesto e extremamente meticuloso. Ficou para a História como o capitão da viagem que veio a provocar a maior revolução científica no campo da Biologia alguma vez operada na cabeça de um só homem: a teoria da evolução por selecção natural.
Sem a sua personalidade e sem o seu constante temperamento de debate e discussão com Darwin sobre todos os assuntos mais ou menos científicos, teria sido praticamente impossível a este último formular e reestruturar toda a sua visão sobre o mundo durante a viagem do Beagle.
A figura do capitão FitzRoy ensina-nos que os nossos opostos são úteis por nos obrigarem a repensar o que achamos certo e reformular o que está errado, ele é o símbolo de uma viagem de circum-navegação cheia de discussões críticas que, por isso mesmo, abriu caminho a mais e melhor ciência.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Site do MNG

É com prazer que anuncio o lançamento do site do Museu Nacional de Geologia.
Pode ser visitado em: http://www.mng.co.mz/




















Parte do material que veio a dar origem ao espólio do museu encontrava-se no Departamento da Direcção Nacional de Geologia no extinto Museu Freire de Andrade, fundado em 1940. Segundo o próprio site, o Museu foi encerrado em 1978 por falta de espaço quando a Direcção Nacional de Geologia foi transferida para o edifício localizado na na praça 25 de Junho. Graças a sensibilidade e intervenção do falecido Presidente Samora Machel, foi cedido um novo espaço onde se localiza hoje o actual Museu, edifício na altura conhecido por Vila Margarida.

A exposição foi reaberta pelo ex-presidente Joaquim Chissano no dia 21 de Setembro de 1992.

O MNG possui actualmente um total de 5853 amostras, das quais cerca de 800 estão expostas, despertando maior atenção e atracção as pedras preciosas e semi-preciosas, os minerais industriais tecnicamente valiosos e os cristais, invulgares pelas suas dimensões.

Visitando o museu, esta inicia com a sala 1 com a exposição do desenvolvimento da história da terra e alguns fósseis de Moçambique, alguns dos quais descobertos pela nossa equipa em 2009.

O seu actual director é o Dr. Luís Costa Júnior que é ainda um dos lideres do projecto PalNiassa, a ele se deve grande parte do mérito por todo o dinamismo e desenvolvimento do Museu.

Parabéns Luís, que o trabalho continue desta forma por muito tempo, Moçambique precisa de mais ciência.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Julho, segunda quarta-feira



É sempre presente a voz de quem nos falta.

Julgo que apenas fui uma criança feliz enquanto vivi tudo pela primeira vez e, apesar de ser quase tão óbvio como curioso pensar que houve uma primeira vez que olhei para lua, que comi um gelado ou que ouvi o eco duma pedra a bater no fundo dum poço, parece triste saber que só alguns continuam a sentir esse constante espanto pela maravilha que nos rodeia.
É, é isto.
O universo faz sentido e o nosso tempo deve servir apenas para deixar conhecimento e beleza novos ao mundo, tudo o resto é trivial.
Nada tem maior valor do que o brilho nos olhos de alguém que percebeu algo de novo e nada há de mais generoso do que dedicar a vida a conhecer o mundo para que os outros se maravilhem com isso.
Há memórias que nunca se apagam e continua presente a voz de quem nos falta. Prefiro fazer ciência a ouvir falar dela. É quase sempre assim, em tudo, mas enquanto penso nisto pela primeira vez, sei que é um privilégio nunca desistir de ser criança.



Visitante de hoje

Apareceu, sorriu e sumiu.



terça-feira, 12 de julho de 2011

Dia 12 de Julho


A realidade é outra num céu diferente, a lua não mente e a moral, essa, revela-se pequena e particular.
Pouco há a fazer quando os costumes nos são estranhos e a surpresa se antecipa a qualquer reacção mais coerente.
Dia de Palestra Pública, com letra maiúscula e no Hotel VIP que tem mais impacto, claro está, com direito a anúncio de meia página, gordo e a cores, no Notícias.
Algumas caras conhecidas por entre outros tantos olhos atentos ouvem sentados a introdução atrasada onde as palavras, simples e claras, são novidade e todos querem saber mais.
Parece que somos mais ricos do que pensávamos e há muito por descobrir.
O Diictodon que ilumina a sala projecta-nos de volta ao nosso passado distante de pedras, ossos e origens. Somos humanos, sinapsídeos e curiosos.
A imagem do bicho, roubada a um colega, serve o propósito estimulando a discussão e aguçando a curiosidade.
Mais algumas respostas intercaladas e uma salva de palmas alegra a sala.
Gostaram, nós também.
De volta ao Turismo o elevador encrava e a sirene de incêndio dispara.
Falso alarme mas o pânico cresce e há já quem se deite no chão para encontrar ar no respirador que roça os nossos tornozelos.
Eu não passo bem, não passo bem.
As portas abrem no décimo e chegamos ao quarto onde uma última lição nos aguarda.
Nunca nos podemos esquecer, a porta não pode estar aberta. O hotel não permite, pode entrar mosquito.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Convite para palestra pública: Fósseis de Mocambique

Ao longo dos últimos três anos uma equipa de cientístas moçambicanos e portugueses tem vindo a fazer descobertas importantes no território de Moçambique. Todas as descobertas feitas incluem-se no Projecto PalNiassa.

O Projecto PalNiassa é um programa científico internacional envolvendo instituições de Moçambique, Portugal e dos Estados Unidos da América com o objectivo de descobrir, estudar e preservar o património paleontológico do território moçambicano.

As expedições científicas anteriores foram claramente bem sucedidas tendo sido encontradas várias dezenas de crânios e esqueletos completos de ancestrais comuns de todos os mamíferos, bem como, alguns grupos de répteis desconhecidos para a região.

O projecto PalNiassa visa:
  1. Descobrir, estudar e publicar novos fósseis de Moçambique;
  2. Colaborar para melhorar as instalações museológicas em Moçambique, a fim de armazenar e exibir o material recolhido;
  3. Contribuir para a formação de novos cientistas e transferência de know-how entre os países envolvidos;
  4. Promover a divulgação da ciência e trabalhar com as comunidades para preservar o património paleontológico moçambicano.

Alguns dos fósseis recolhidos podem já ser observados no Museu Nacional de Geologia em Maputo.

Neste momento existe um estagiário moçambicano a receber formação em preparação de fósseis no Museu da Lourinhã com uma bolsa gentilmente financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Este será o primeiro prepardor de fósseis da História de Moçambique.

Decorrerá uma apresentação pública dos resultados do Projecto PalNiassa no dia 12 de Julho, pelas 16 horas no Hotel VIP em Maputo.

English Version

Ancestrals to all mammals discovered in Mozambique.

Over the past three years a team of Mozambican and Portuguese scientists have done important discoveries in the territory of Mozambique. All the findings are part of the PalNiassa Project.

The PalNiassa Project is an international scientific programme involving institutions from Mozambique, Portugal and the United States of America aiming to discover, study and preserve the paleontological heritage on the Mozambican territory.

The previous scientific expeditions have been clearly successful and several dozens of complete skulls and skeletons from the common ancestors of all mammals have been found, plus, new and unknown to the region groups of reptiles have been unearthed.

The PalNiassa project aims to:

Discover, study and publish new fossil material from Mozambique;
Collaborate to improve the museological facilities in mozambique in order to store and display the material collected;
Contribute to the formation of new scientists and know-how transference between the countries involved;
Promote science outreach and work with the communities to preserve mozambican paleontological heritage.

Some of the fossils collected can already be seen at the National Museum of Geology in Maputo.

There is currently a mozambican intern being trained in fossil preparation at the Museum of Lourinhã with a grant funded by the Fundação Calouste Gulbenkian.
This will be the first fossil preparator in the history of Mozambique.

There will be a public presentation of the results of Projecto PalNiassa on 12 July at the Hotel VIP, 4p.m.