Mostrar mensagens com a etiqueta Aborto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aborto. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Relatórios e tretas...




Recentemente recebi, de um bom amigo, notícias sobre um relatório já com alguns anos.

É um relatório sobre a evolução dos números e práticas de aborto no mundo, desde 1995 até 2003. Foi executado pelo Guttmacher Institute que tem por objectivo: 
"The Institute’s overarching goal is to ensure the highest standard of sexual and reproductive health for all people worldwide".


Dito isto e perante este tipo de estudos, eu não durmo descansado depois de saber que segundo esse mesmo relatório, já morreram bem mais de mil milhões de crianças antes de nascerem e uma das principais recomendações é "Expand access to legal abortion and ensure that safe and legal abortion services are available to women in need." 
Reparem que nem referem prazos nem datas limite, o importante é fazer mais e em mais sítios com mais meios. Para acabar com o aborto, vamos... expandir o acesso a aborto legal! 

Grande ideia, como é que ninguém pensou nisto antes?


Mais, neste relatório não há nem uma só palavra sobre a política de filho único na China e muito menos sobre a política de aborto forçado e/ou esterilização forçada, que ainda hoje é uma realidade no país que mais abortos faz em todo o mundo. Nada disso, o que faz falta é "Expand access to legal abortion and ensure that safe and legal abortion services are available to women in need."


Depois, tenho pena que o relatório não inclua os dados desde os primeiros anos em que o aborto foi legalizado no respectivos países, refere-se apenas a dados posteriores a 1995. Podem ver que pelo menos em alguns países aconteceu uma explosão nos número de abortos: http://conjurado.blogspot.com/2007/01/espanha-estados-unidos-e-gr-bretenha.html (os gráficos do link referem-se a abortos registados oficialmente desde os primeiros anos da legalização nos respectivos países e não apenas a dados posteriores a 1995).


Mas, e mesmo que tudo isto não fosse verdade e bastante para enojar qualquer um, saltam ainda à vista uma completa falta de coerência na argumentação e uma confusão clarissima.


A incoerência vem da aparente preocupação do relatório em demonstrar que a legalização ajuda a baixar o número total de abortos.
Como se isso fosse um problema para quem acha que tudo isto deve ser apenas uma questão de consciência da mãe. 
Vejamos se não é verdade...
Se partimos do princípio que não há problema em legalizar o aborto porque é uma questão de consciência, então por que razão estamos preocupados com o facto de a legalização fazer ou não baixar o número total de abortos?
Ou seja, se acho que fumar charros é apenas uma questão de consciência individual, por que razão me hei de me preocupar se a sua legalização baixa ou aumenta o número de charrados? Se fumar um charro é tão legitimo como fazer um aborto eu quero lá saber se há mais ou menos charrados(as) a engravidar e a abortar do que no ano passado!


Para ser claro, cá vai o raciocínio:

Nenhum de nós se deve preocupar em baixar o número de acções legítimas.
Fazer um aborto é legítimo.
Logo, não nos devemos ralar com a diminuição do número de abortos.


Há algum erro que eu não esteja a ver?

O que é verdade é que, por mais coerente que seja, nunca ouvi ninguém defender algo parecido à conclusão do silogismo. Todos dizem que estão muito empenhados em fazer baixar o número de abortos e toda gente julga que isso é óbvio e nada tem que ver com "lado da barricada" em que se está. Ora isso não é bem verdade.
Se não há nenhum erro em nenhuma das premissas, temos de aceitar a conclusão e, de facto, pode perfeitamente deixar de fazer qualquer sentido continuarmos preocupados com as variações dos números de uma prática que consideramos legítima.
  
Podemos até cair numa posição tão caricata quanto coerente ao acabarmos por nos preocupar com a diminuição do número de abortos. Se há menos mulheres a praticar abortos então talvez esteja a haver uma pressão social para diminuir uma acção que é perfeitamente legítima, individual e que não deve nunca ser contrariada. Se andamos a fazer menos abortos talvez seja porque a sociedade se anda a meter na vida das mulheres e devemos contrariar esta intromissão inaceitável... ou, ou talvez isto seja ir longe demais.

No entanto é tudo resultado da confusão que mencionei antes.
Ela existe, é clara e baralha legitimidade com conveniência.

Mesmo que a legalização fizesse diminuir o número de abortos ela só deveria ter lugar se fosse legítima.
Uma lei para existir tem de ser legítima e conveniente, ambas as condições são necessárias e só juntas são suficientes para que possamos legislar algo.
Por mais conveniente que fosse para identificar as pessoas envolvidas ou fazer diminuir as doenças sexualmente transmissíveis, é por não ser legítimo violar crianças que nunca legalizaremos a "pedofilia em establecimiento legal de saúde". Até podia ser conveniente para fazer baixar o número de DST mas nunca seria legítimo porque está em causa um dano grave na vida de outra pessoa (faz lembrar alguma outra coisa?). 



São sempre necessárias as duas condições: legitimidade e conveniência.
E é por não ser conveniente que não se despedem centenas de milhares de funcionários públicos para reduzir o défice do estado. Esta medida é tão legítima como cortar dois meses de salários anuais e o nosso parlamento tem toda a legitimidade depois de eleito para poder fazer qualquer uma das coisas. No entanto parecem estar a optar pela segunda hipótese por acharem que, embora tão legitima como a primeira, é mais conveniente para todos. Mais uma vez só quando temos as duas condições satisfeitas é que devemos aceitar uma medida.


O ponto fundamental é saber se o aborto é legítimo ou não. Se é legítimo, a sua legalização resulta do facto de ser legítimo e não do facto de fazer diminuir a sua prática. E se o aborto é ilegítimo, como podemos legitimá-lo? Ou basta dizer que é extremamente conveniente para passar a ser legítimo?


Dizer "vamos legalizar X mesmo sabendo que é ilegítimo porque se o fizermos isso é muito conveniente pois ajuda a diminuir esse mesmo X", não me parece que seja uma boa prática pois deixa a porta aberta a todo o tipo de legalização. Trocando, na frase anterior, "X" por "pedofilia", "infanticídio" ou "aborto até aos 9 meses" talvez ajude a obviar o ridículo da questão. 
Se não o aceitamos nos três exemplos anteriores por que razão está já tudo bem quando falamos em "aborto até às Y semanas"? O que mudou?


Concluindo. Fico contente que, se os números do relatório estiverem correctos, desde 1995 até 2003, o número de abortos legais esteja alegadamente a diminuir no mundo mas julgo que as políticas de planeamento familiar e aumento global das condições de vida sejam as verdadeiras responsáveis por esse aparente facto: apesar do aborto ser legal e não por causa de o ser!
Mas continuo muito triste por saber que, todos os anos, morrem mais de 40 milhões de crianças antes de nascerem, porque a sociedade onde todos vivemos apenas tem para oferecer a uma mãe desesperada e grávida um aborto e não uma vida digna para deixar crescer o seu filho.
No final de lerem este texto devem ter sido abortadas a pedido da mãe, mais de 400 crianças! 
É tão simples que até arrepia, mais de um aborto por segundo é muita morte para tão pouca desculpa.  

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

53 por dia... sempre a bater recordes!

Transcrevo a notícia do jornal I :




Este ano, por cada dia que passou, foram feitos 53 abortos legais
. Em 2007, os números não ultrapassaram os 36. O número de interrupções voluntárias da gravidez tem crescido sucessivamente desde que a prática foi despenalizada há três anos. Em 2009, houve 19 572 contra os 18 607 abortos praticados em 2008 (mais 965). E, até Agosto de 2010, os casos já atingiram o patamar dos 13 mil. Ou seja, a manter-se a média actual, 2010 vai fechar ligeiramente acima do ano anterior, o que contraria a tendência decrescente noutros países europeus que optaram pela legalização.

Apesar de os números se aproximarem das estimativas iniciais - previa-se, com base na experiência de outros países europeus, que pudessem vir a praticar-se 20 mil abortos por ano -, especialistas entendem que três anos e meio depois da legalização do aborto, por opção da mulher, até às dez semanas já se deveria ter entrado numa lógica decrescente.

"A tendência no Norte da Europa é para uma estabilização passado dois ou três anos. E depois um decréscimo: na Dinamarca, por exemplo, ao fim de dois ou três anos os números começaram a baixar. Se cá não baixam é preocupante: legislou-se, mas não se iniciou um programa a sério de prevenção da gravidez", critica Luís Graça, director do serviço de obstetrícia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

O especialista, que foi um dos maiores defensores da aprovação da lei em 2007, está desiludido com os resultados. "Tomam-se medidas pontuais, mas não se tomam medidas de acompanhamento. Não há políticas preventivas e, assim, o aborto vai continuar a ser usado como um método de não concepção."

E, mais do que com os resultados, está desiludido com as mulheres
: 354 foram reincidentes e fizeram mais do que um aborto em 2008 e 2009. "Fui ingénuo. Tenho pena que não tenham estimado uma lei feita para salvaguardar a sua saúde: era para protegê-las das complicações dos abortos clandestinos, não para fazerem dois ou três em dois anos."

O obstetra entende que a única bandeira que os defensores da despenalização ainda podem levantar é a da diminuição das complicações associadas a abortos ilegais "Antes tinha 20 a 22 consultas por mês devido a complicações decorrentes de abortos clandestinos. Agora, são duas ou três."

Crise ou conhecimento da lei? O agravamento do desemprego e da situação económica pode pesar na decisão de ter um filho, mas a maioria dos profissionais de saúde acredita não ser a razão principal para os números da interrupção voluntária da gravidez continuarem a não diminuir. As dificuldades decorrentes da crise económica são apenas parte da história: o maior conhecimento da lei pode explicar o resto.

"Este aumento não me surpreende. É natural que ao início os números não fossem tão altos. A prática tinha acabado de ser instituída: as pessoas não tinham ainda tanta informação", afirma Duarte Vilar, director-executivo da Associação para o Planeamento da Família.

Também Jorge Branco, coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, entende que "o aumento da confiança nos estabelecimentos de saúde onde é possível realizar um aborto" explica a tendência crescente dos números dos abortos praticados por via legal. A influência da crise, por contraste, "será muito residual, porque quando a lei foi criada já se sentiam estas dificuldades", recorda, o coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva

Para Daniel Serrão, não há qualquer razão que justifique o aumento dos abortos praticados no país, já que "é uma intervenção completamente desnecessária, que, independentemente de ser feita de forma legal, só traz riscos para a mulher". Dos 13 033 abortos registados nos primeiros oito meses do ano, 12 676 foram feitos por opção da mulher: só em 357 casos, o aborto foi provocado por perigo de morte ou de saúde da grávida ou malformação do feto.

"A lei do aborto não foi acompanhada por medidas que educam para a sexualidade. Se os métodos contraceptivos são gratuitos, não há nenhuma razão para as mulheres não terem uma vida sexual sem necessidade de abortar", lamenta o médico e especialista em ética da vida.

Além das falhas no planeamento familiar, o especialista aponta para a necessidade de controlo das repetições de abortos. "Na maior parte dos países, as mulheres só podem fazer um aborto. Aqui é a la carte", acusa. O registo dos motivos que levam as mulheres a abortar seria, na opinião do especialista, o primeiro passo para perceber "se o fazem por fome ou miséria, por falta de companheiro ou só porque sim".

Jorge Branco, presidente do conselho de administração da Maternidade Alfredo da Costa, explica que na impossibilidade de recusar fazer um aborto a uma mulher que seja reincidente, resta aos profissionais de saúde apostar nos casos mais problemáticos e "dar a essas mulheres métodos contraceptivos menos falíveis e mais duradouros, como os implantes".




Se eu ganhasse um cêntimo por cada vez que ouvi da boca de quem defendeu o sim no último referendo dizer que a legalização não iria fazer aumentar os números... porque, se assim fosse estariam contra... ui, estava milionário!
Não é nenhum fanático de extrema direita que o diz mas sim o, grande defensor da lei em 2007, Dr. Luís Graça.
Diz ele: "Fui ingénuo..." pois foi!
Seja bem-vindo ao mundo real!
E já agora para não se desiludir mais leia o texto que escrevi em Junho passado.
Se não servir de emenda pelo menos que sirva de alerta.

sábado, 3 de julho de 2010

A tristeza vem de Espanha

De acordo com a BBC "Dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas de Madrid, capital espanhola, protestar contra a lei aprovada recentemente pelo Parlamento que permite a realização de aborto por meninas a partir dos 16 anos, até a 14ª semana de gestação."


Num futuro mais o menos próximo o mesmo acontecerá em Portugal.

Já cansa repetir o que é por demais óbvio, mas o nosso querido Portugal terá o mesmo destino que os outros países.

Não é necessário ser nenhum Bandarra para saber que a nossa lei do aborto não ficará inalterada e (contrariamente a todas as garantias que foram dadas pelo apoiantes do Sim) tenderá a:

  • Ficar cada vez mais banal e comum - Depois do referendo a esquerda portuguesa tratou de fazer algo que os portugues não votaram. Não se limitou a tratar de por em prática o que foi referendado. A "despenalização da interrupção voluntária da gravidez" foi liberalizada, passando não só a ser legal mas também (coisa que ninguém votou) gratuita e executada com prioridade máxima no hospitais públicos (suspeito que actualmente se façam abortos em locais onde já se deixaram de poder fazer partos).
  • Menos polémico - Sendo banal deixou de ser discutido, é um direito assumido e ninguém quer deixar de ter esse "direito". Outros argumentos que se ouvirão, rezarão assim: "afinal a minha tia já abortou duas vezes, a minha irmã também e eu já fiz um, por que razão acham que isso deveria deixar de ser legal? Era o que faltava considerar toda a minha família , e eu própria, como criminosas!"
  • Aumentar em número - Especialmente nas jovens em idade fértil. Basta ver o que aconteceu nos outros países. Foi assim em Espanha e foi assim em todos os países onde se legalizou o aborto. Gostava de ver o números oficiais destes primeiros anos de aborto legal em Portugal.
  • Variados grupos políticos continuarão a tentar aumentar os prazos e condições em que as mães grávidas poderão abortar. Nenhum, repito, nenhum dos discursos que ouvi ou li defendendo o direito a abortar se debruçou sobre qual a razão das famosas 10 semanas. Disse várias vezes aqui no Conjurado que todos os argumentos que defendem o aborto até às 10 semanas são válidos depois desse prazo. Não acreditam? Experimente fazer o seguinte exercício, lembrem-se do(s) argumento(s)/razõe(s) mai(s) forte(s) que conheçam para defender o direito a abortar até às 10 semanas, agora repitam-no(s) mas troquem a expressão "até às 10 semanas" e coloquem "até às 11" ou "até às 12" e vão aumentando. Os argumentos perdem a validade? Se não perdem, esperem, que em breve os ouviram nos discursos dos nossos deputados muito em breve.
  • Contrariamente ao que foi sempre dito pelos apoiantes do Sim, o aborto passou a ser liberalizado, banal, muito mais comum e passou a ser usado como método contraceptivo. E sabem que mais? ninguém acha isto mal porque afinal é assim que tem de ser porque a lei o diz. Ou seja, a lei sempre ajuda a construir a moralidade de um Povo. Lembram-se quem dizia que isso era assim e quem defendia que o que a lei dizia pouco importava, já que, as pessoas que tivessem de fazer um aborto nunca o deixariam de o fazer, dissesse a lei o que dissesse? Afinal a lei sempre influência o comportamento dos cidadãos.

É muito triste, mas duvido que em breve possamos vir a ter qualquer correcção a este disparate enorme que é tornar a morte de pessoas inocentes legal e subsidiada pelo Estado. Suspeito também que seja em breve que as coisas vão piorar. Pelo menos, neste caso, a História não é um caminho inexorável em direcção ao aperfeiçoamento moral da humanidade.
Resta a esperança que a longo prazo passemos todos a achar que os direitos do Homem não são só para os que nascem mas para também para os que, já existindo, ainda não tiveram a oportunidade de nascer, mesmo que tenham menos de 10 semanas.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Parabéns Bush!


É raro dar os parabéns a G. W. Bush, mas desta vez tenho (temos ?) de lhe tirar o chapéu:



«High Court Upholds Curb on Abortion
5-4 Vote Affirms Ban on 'Partial-Birth'
Procedure By Robert Barnes
Washington Post Staff Writer

Thursday, April 19, 2007


The Supreme Court broke new ground yesterday in upholding federal restrictions on abortion, with President Bush's two appointees joining a court majority that said Congress was exercising its license to "promote respect for life, including the life of the unborn."The court's 5 to 4 decision upholding the Partial Birth Abortion Ban Act passed by Congress in 2003 marked the first time justices have agreed that a specific abortion procedure could be banned.(...)»



Parabéns George W. Bush!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Sic transit gloria mundi

Antes do referendo:

“…nada impede e tudo aconselha que a lei venha a prever uma consulta prévia e um período de dilação da execução do aborto.”
Vital Moreira (Público 23 de Janeiro de 2007)





Um dia depois:

«Alberto Martins e Sócrates responsáveis por nova lei

Modelo alemão com aconselhamento inspira PS

O projecto do PS para a lei do aborto, que deverá começar a ser trabalhada esta semana no Parlamento, é inspirado no modelo alemão para a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).

O modelo em causa obriga a que a mulher comprove que foi a uma consulta de aconselhamento, em centros oficiais criados par ao efeito, destinada a prestar esclarecimentos médicos e sociais sobre os apoios para ter um filho e sobre os riscos de fazer um aborto.»
(TSF 12 de Fevereiro de 2007)





Dois dias depois:

«O líder parlamentar socialista, Alberto Martins, afirmou hoje que não haverá aconselhamento obrigatório na lei para as mulheres que queiram abortar até às dez semanas, porque isso seria uma imposição “à revelia” do resultado do referendo.
“Não haverá naturalmente aconselhamentos obrigatórios, à revelia do que foi o mandato popular”, frisou o líder parlamentar socialista.»
(Público.pt 13 de Fevereiro de 2007)



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Conversas com LGR e PG...

Os comentários que se seguem tiveram origem num post (25 Janeiro) de Luís Grave Rodrigues no seu blogue. Aproveito para os transcrever aqui, já que, considero estes textos muito elucidativos dos erros que até (e principalmente) pessoas inteligentes cometem ao defender o direito a abortar:


Post:

Independentemente dos critérios que levarão os portugueses a votar «SIM» ou «NÃO» no próximo referendo sobre a despenalização do aborto, e (longe vá o agoiro) se o «NÃO» ganhar?

O que mudará neste caso em Portugal?
A resposta é por demais simples, e tão óbvia que até chateia: nada vai mudar; tudo ficará na mesma como agora.

Quer então isto dizer que depois do referendo vai deixar de haver mulheres a abortar em Portugal?
Claro que não!
Como é por demais óbvio, nem uma só mulher em Portugal que pretenda abortar (e independentemente dos motivos que a tiverem levado a tomar essa decisão) e tenha decidido nesse sentido, vai deixar de o fazer em função do resultado de um referendo.
O número de abortos que se vão realizar em Portugal será precisamente o mesmo.

Então, e se o «NÃO» ganhar, a prática do aborto que não se insira na lei já actualmente em vigor (violação, malformação do feto ou perigo para a saúde da mãe) continuará a ser criminalizada e penalizada.
Mas, apesar disso continuará a haver abortos em Portugal, já que a penalização, como é sabido, nunca constituiu o menor motivo de dissuasão para as mulheres que pretendam abortar.

É por isso que as mulheres que tenham decidido abortar se dividirão em dois grupos: as que têm dinheiro e as que não têm.
As que têm dinheiro irão fazê-lo em clinicas inglesas, ou até aqui bem pertinho, em Badajoz. E o número de abortos, quanto a estas, será precisamente o mesmo.

Aliás, se eu fosse um dono sem escrúpulos de uma clínica de Badajoz o que eu faria melhor era financiar o mais possível a campanha do «NÃO». Mas isso é outra conversa.

As mulheres que não têm dinheiro e que tenham decidido abortar recorrerão a uma clínica clandestina, a um qualquer «vão de escada», ou até a uma «parteira» amiga, que tem muita experiência em meter agulhas de tricot por mulheres adentro, e até lhes faz um desconto.

Então, por sua vez, as mulheres sem dinheiro que tenham decido abortar clandestinamente dividir-se-ão em dois grupos: aquelas a quem a coisa corre bem, e aquelas a quem a coisa corre mal.

Aquelas a quem a coisa correr bem, pode ser que se safem e que não sejam descobertas pelas autoridades policiais.
Aquelas a quem a coisa correr mal, vão de urgência para o Hospital.
Então, se a coisa correr mesmo mal, morrem; se a coisa correr bem, safam-se.
Mas são estas que se safam precisamente aquelas que vão ter um processo crime às costas, porque o médico que as safou é obrigado a participar a ocorrência à Polícia.

Quer então isto dizer que se o «NÃO» ganhar no referendo as mulheres que abortem e as pessoas que as auxiliem continuarão a ser perseguidas criminalmente.
Serão julgadas e, provado o crime, serão condenadas na pena correspondente, já que o aborto é punido com pena de prisão até três anos.

Mas atenção: só as mulheres que não têm dinheiro.
Porque as que têm dinheiro não terão praticado qualquer crime, porque terão abortado num país estrangeiro onde, porque essa conduta não é punível, ela não deixará qualquer rasto.

Serão então julgadas somente as mulheres mais pobres e com menos recursos que tenham abortado num «vão de escada» e, mesmo dentre estas, provavelmente só aquelas a quem «a coisa correu mal» e que por isso tenham sido «apanhadas».

Essas serão sentadas no correspondente «banco dos réus».
Serão fotografadas por jornalistas à entrada e à saída do tribunal, serão humilhadas perante toda a gente e obrigadas a contar e a explicar, para quem quiser ouvir, os motivos mais íntimos e pessoais que as terão levado a uma decisão tão trágica como é a de abortar.

Provado o crime, serão então condenadas na pena correspondente, já que o aborto é punido com pena de prisão até três anos.

Em suma, se o «NÃO» ganhar, tudo ficará na mesma em Portugal.
Porque foi nesse sentido que as pessoas que terão votado «NÃO» no referendo terão decidido.
E terá sido nesse mesmo sentido, aliás, que terão decidido as pessoas que optem por abster-se no referendo.
Todas elas terão decidido por si próprias e, obviamente, e porque se acham nesse pleno direito, terão decidido também pelas outras pessoas.

Se o «NÃO» ganhar, presumo que essas pessoas fiquem satisfeitas.
Afinal, e pelos vistos, pensam que como está é que tudo está bem....
LGR

Comentários:

Por outro lado se o «Sim» ganhar tudo, repito, TUDO o que disseste será verdade mas depois das dez semanas.

Porque depois já não faz mal nenhum, pois não?

"Afinal, e pelos vistos (depois das dez semanas), pensam que como está é que tudo está bem...."

Rui Castanhinha

Pois é, Rui: deixaste de fazer sentido.
E o pior é que não te apercebes disso.

Mas sei que és um bom e fervoroso católico.
E que, como tal, tomas a vida como um bem absoluto. Sem excepções!

És, portanto, contra o aborto em todas e quaisquer circuntâncias. Sem excepções.

És contra os comprimidos abortivos, mesmo antes da nidação do ovo.
És contra o aborto mesmo em caso de violação da mulher, de malformação do feto ou de perigo para a mãe.
Porque mesmo em todos esses casos existe vida.
E a vida é um bem absoluto.

E como bom católico, és também contra a mastrubação.
Porque os espermatozóides também são vida.
E a vida é um bem absoluto.

E és contra a pílula anticoncepcional.
E contra o preservativo.
Afinal, és um bom católico, é isso que a Igreja Católica defende.
E a vida é um bem absoluto.

És também a favor da pena de morte.
Porque como és um bom católico, aceitas a pena de morte, porque o Catecismo da Igreja Católica também o admite.
E aqui a vida é um valor relativo.
Mas só aqui, não é.

Porque só aqui é que a Igreja Católica assim o determinou.

E assim tu o aceitas.
Porque és um bom católico.

E como és um bom católico, queres determinar a tua vida de acordo com os cânones da Igreja Católica.

E como és um bom católico, queres também determinar a vida das OUTRAS pessoas, de acordo com os cânones da Igreja Católica.

Porque são esses que são bons.
Para ti, e para os outros.
Afinal foi a Igreja Católica que assim o disse.
E tu és um bom católico.

E se és um bom católico, para ti a vida é um valor absoluto.
E como é absoluto, aplica-se a TODOS os casos.

Bem, a não ser na pena de morte.
Mas essa não conta.
Afinal, vem no Catecismo da Igreja Católica.
E os bons católicos sabem que o Catecismo da Igreja Católica é que é, afinal, o valor absoluto.

Para os católicos e para os que não são católicos, claro está.


Parabens, Rui: és um bom católico!


Eu devia aprender a estar calado...
..mas eu gosto de ti e acho-te piada, pronto, tu és uma boa pessoa.

Só tenho pena que neste caso estejas errado (para dizer a verdade não é só sobre o aborto, mas enfim aqui é evidente).

Caro Luís:

Antes de começares a procurar incoerências e falsidades nos outros responde sinceramente à única pergunta que te fiz e que, pelos vistos, te irritou tanto:

Caso vença o Sim, o que deve dizer um médico a uma mulher desesperada que está grávida de 11 semanas?

«A senhora desculpe lá mas agora tem de se aguentar à bronca! Viesse umas semanas mais cedo! Agora é crime!»

Como ateu, ser racional e lógico diz-me se isto faz sentido...

Foi só isto que perguntei.
Até posso responder uma a uma, todas a acusações que me fizeste mas isso seria fugir ao que te perguntei e não me respondeste.

Rui Castanhinha

Rui:

A resposta à tua pergunta está na pergunta que vai ser referendada.

É tão óbvio, que até chateia!

LGR
...............................

Boas!!

Eu devo dizer que sou um dos indecisos, mas que nesta altura estou assim 55% não, 45% sim...

Concordo... se o não ganhar, os números estatísticos de abortos clandestinos ou de abortos "estrangeirados" vão se manter. Mas será que, se o sim ganhar, irão o número de abortos efectivos aumentar?? Primeiro, deixam de se fazer abortos clandestinos, e segundo deixam as mulheres de ter de ir a badajós abortar... segundo, criam-se até condições que podem até facilitar a decisão de uma mulher abortar. Se calhar actualmente, uma mulher com poucos recursos, sabe o risco que corre ao tomar uma decisão de abortar clandestinamente, e muitas são as que, por receio, não o fazem... será que com o aborto despenalizado, não irão essas mulheres ter menos "argumentos" contra o aborto que pretendem fazer??

Porque, há uma coisa que eu defendo, e que julgo todos (ou quase todos) os defensores do sim, tambem devem defender: que é o ser contra o Aborto. Será que uma despenalização, não irá permitir a mais mulheres poderem abortar??
Pedro Garcia

Caro Pedro Garcia:

A resposta à sua pergunta é evidente...

...basta ver o que aconteceu nos outros países:

Suécia (1960-2004)......aumentou 1134%

Reino Unido (1968-2002)..aumentou 733%

Espanha (1987-2003).....aumentou 376%

Grécia (1989-2001) ......aumentou 201%

(dados do EUROSTAT)
Rui Castanhinha


Caro Pedro Garcia:

Não dê muita importância ao Rui.

Ele é daqueles que acha que como está é que tudo está bem.
Dotado de uma misoginia conatural à sua condição de católico, repugna-lhe que a uma mulher possa ser dada capacidade de escolha.

Prefere antes ser ele a escolher por elas...

Ao mesmo tempo, como católico, tem uma peculiar forma de avaliar os valores e tem critérios éticos muito próprios.

Por exemplo, diz que a vida humana é um valor absoluto.
Mas isso não é para levar a sério.

O que é para levar a sério e aquilo que ele pensa mesmo é que o que é um valor absoluto é o «Catecismo da Igreja Católica».

Por exemplo, ele, como católico, enquanto é contra o aborto porque se acha a «favor da vida», já acha perfeitamente natural ser a favor da pena de morte, pois o Catecismo é isso que admite também.

Ao mesmo tempo tem uma outra curiosa forma de ver as coisas.

Por exemplo, pergunte-lhe se um dia ele se casar e a mulher dele (longe vá o agoiro) tiver uma gravidez ectópica e der entrada nas urgências de um hospital em risco de vida, permitirá que abortem o feto.

Vai ver que diz que prefere que morram os dois, a mulher e o feto, pois é CONTRA o aborto.
Porque a vida é um valor absoluto.

A não ser no caso da pena de morte.
Mas isso, como já vimos, é só porque o Catecismo da Igreja Católica vale mais que os valores absolutos...


Mas, apesar de tudo, ele é bom rapaz!

As missas é que o têm estragado um pouco...

LGR

Luís:

Só tenho pena que sempre que alguém discorda de ti tu aches que não deves responder aos seus argumentos com argumentos lógicos o é estranho para um advogado (ou talvez não).

achas que a melhor forma de responderes é criticar um bocadinho ao lado, é a mentalidade do como-não-consigo-rebater-arranjo-outro-suposto-problema-e-pode-ser-que-ele-se-cale.

É pena, mas um dia como pessoa lógica que normalmente és verás a Luz...

Um abraço,
Rui Castanhinha

Caro Rui:

Faz como aconselhas: rebate.

Ou pensas que isso de acusares os outros de falta de argumentos te serve de argumento?...

LGR

Luís:

Ainda bem que mostraste que tinha razão...

até parece que estavas a falar de ti:
«Ou pensas que isso de acusares os outros de falta de argumentos te serve de argumento?...»

um abraço, toma juízo...
Rui Castanhinha

Acho que há uma questão que entra em jogo nesta coisa do "SIM" e do "NÃO". Liberalizar totalmente uma acção deixada ao livre arbítrio da mulher;

Parece-me aqui uma coisa: um feto, tenha ele 1 semana, 2 semanas 3 meses, 9 meses, é uma vida humana, num estado "parasital" (perdoem-me o termo forte e bruto) em que a sua mãe o concebe dentro de si, partilhando parte do seu corpo, do seu ar, do seu alimento, das suas celulas, etc, etc, etc...

Deve ser da escolha da mulher saber se quer conceber um filho ou não, mas tambem deve a sociedade, enquanto sociedade, mobilizar-se para proteger todos os indivíduos que dela façam parte. Aquilo que a sociedade deve fazer, em primeira instancia, é ajudar a educar a mulher, com valores morais, que possam ajudá-la a evitar situações em que tenha de tomar essa decisão. Depois, se for decisão da mulher assumida e pensada, deve a sociedade garantir que essa mulher será apoiada nessa decisão. Porque, efectivamente, essa e todas as mulheres é que estão sob alçada da sociedade, não ainda o ser que habita dentro dela (esta é a minha opinião).

Acho que a liberalização é um passo "fácil" que nos faz abrir os olhos para um problema de responsabilização, não pelos abortos, mas pelo bem estar das mulheres que o praticam. E julgo que, nesta altura, é o passo a dar... no entanto, não pode (nem deve) a sociedade ficar por aqui, e deve educar os seus membros de que o aborto é uma prática que deve ser evitada. Não podemos permitir a criação de clínicas cuja principal fonte de rendimentos sejam os "abortos"... não devemos permitir que o aborto seja mais uma opção para uma mulher jovem e vivaça... o aborto deve ser a última opção pensada e julgada, e antes de pensar "se engravidar, ainda tenho hipótese de resolver o problema com um aborto", temos de continuar a educar nas nossas jovens assumam as responsabilidades e consequencias dos actos. E esta deve ser o próximo passo concreto a dar pela sociedade.

Voto pelo SIM, e voto tambem para que a sociedade evolua, não no sentido de negar a preciosidade de um feto de 10 semanas, mas para que lhe de ainda mais valor!! Quero votar SIM, lamentando e chorando a decisão das mulheres que optem por fazer, mas afirmando que as devemos apoiar na (má) decisão que tomem, procurando educar toda a gente, que um aborto não é uma solução fácil para um problema difícil... tem o aborto de continuar a ser uma decisão difícil e penosa para quem a toma, e compete a nós todos ajudar a manter esse tom.

Abraços!!
Pedro Garcia

Caro Pedro Garcia:

É pena de facto que vá votar para que tudo aquilo que disse que era contra se venha a verificar, eu explico:

Disse «um feto, tenha ele 1 semana, 2 semanas 3 meses, 9 meses, é uma vida humana, num estado "parasital" (...) em que a sua mãe o concebe dentro de si, partilhando parte do seu corpo, do seu ar, do seu alimento, das suas celulas...»
Repare que um recém-nascido também é uma vida humana num estado "parasital" da sua mãe, ou da sua familia ou em última instância da sociedade como um todo. E não é por isso que deve caber à mãe (ou à familia, ou à sociedade) o direito de vida ou morte desse ser humano inocente.

Desde quando é que o direito à vida varia consoante a maior ou menor dependência de terceiros? Terá menor direito à vida um idoso demente do que um jovem saudável só porque o primeiro se encontra totalmente dependente do segundo para comer, beber, dormir, ir à casa-de-banho, até respirar (caso necessite de oxigénio)? Terá mais direito à vida um feto com 12 semanas (ou 16, ou 24, ou 9 meses) do que um com 10 semanas? Não estão os primeiros igualmente dependentes e num "estado parasital" igualzinho ao feto de 10 semanas (como você próprio admitiu)?
Então porque protegemos uns e apoiamos a morte de outros com os nossos impostos e sem nos preocuparmos com alternativas?

Acho que é claro que o direito à vida depende exclusivamente da existência de uma vida e não do grau de autonomia que essa vida possui.
Se você é o primeiro a admitir que:«... um feto, tenha ele 1 semana, 2 semanas 3 meses, 9 meses, é uma vida humana(...)» então porque não concorda que ao destruir essa vida humana se está perante um delito? Só porque a vida é frágil? porque é dependente?

Repare que até existe uma diferença entre a vida de 10 semanas e a outra que apresentei: é que esta vida deixará em breve de ser dependente, irá ser autónoma muito em breve (ou seja a sua dependência é transitória e decrescente), enquanto que a do idosos só tende a piorar (tenderá a estar cada vez mais num estado "parasital", ou seja, é crescentemente dependente).
Porque damos o direito sobre a vida do feto (cada dia mas autónomo) e não sobre o avozinho doente (cada dia mais dependente)?
Isto só acontece porque nos reconhecemos muito mais numa vida de um idoso do que na de um feto, é o argumento da invisibilidade do feto: como não o vemos como um igual podemos matá-lo.

Foi precisamente este tipo de argumentos que permitiu as maiores atrocidades ao longo dos tempos:

como não são como nós (cristãos) podemos matá-los (muçulmanos)

como não são iguais a nós (brancos) podemos matá-los (pretos)

como não são iguais a nós (arianos) podemos matá-los (judeus)

como não são iguais a nós (homens) podemos espancá-las (mulheres)

E todos estes raciocínios horrorosos foram a prática corrente em diferentes sociedades (algumas delas continuam infelizmente) e foram aceites por pessoas de bem.
Não se engane, não foram só psicopatas que mataram judeus, escravizaram populações, bateram nas mulheres, ou queimaram ínfieis. Muitas dessas pessoas (eu diria a maioria delas) foram pessoas que estavam profundamente convencidas que estavam a fazer um bem, só que acontecia por que estavam ENGANADAS.
Tudo isto mudou quando reconhecemos no outro um igual, alguém que partilha connosco algo fundamental: ser-se Humano!

É este o pondo fundamental que estaremos a votar dia 11.
Reconhecemos ou não que os mais fracos de entre nós, os seres humanos com 10 semanas de gestação, devem ou não ter protecção legal.

Será uma votação entre visões diferentes do Mundo, podemos não estar conscientes disso mas o resultado (espero) enviará uma mensagem a todos, que o caminho não é retirar direitos ao feto, mas sim protegê-lo e apoiar a sua mãe para que o possa ter em condições dignas.

Será um "pequeno passo" na nossa democracia mas um "enorme salto" civilizacional para o nosso país: fomos os primeiros a abolir a pena de morte para os culpados, não nos tornemos nos últimos a permiti-la para os inocentes!
Rui Castanhinha

Caro Rui:

Continuas com uns critérios éticos engraçados.
Por isso, é já agora, faço-te copy/paste de um comentário que fiz mesmo lá em cima, e a que curiosamente não respondeste...

Cá vai:

Pois é, Rui: deixaste de fazer sentido.E o pior é que não te apercebes disso.

Mas sei que és um bom e fervoroso católico.
E que, como tal, tomas a vida como um bem absoluto.
Sem excepções!

És, portanto, contra o aborto em todas e quaisquer circuntâncias. Sem excepções.

És contra os comprimidos abortivos, mesmo antes da nidação do ovo.
És contra o aborto mesmo em caso de violação da mulher, de malformação do feto ou de perigo para a mãe.
Porque mesmo em todos esses casos existe vida.
E a vida é um bem absoluto!

E como bom católico, és também contra a mastrubação.
Porque os espermatozóides também são vida.
E a vida é um bem absoluto!

E és contra a pílula anticoncepcional. E contra o preservativo.
Afinal, és um bom católico, é isso que a Igreja Católica defende.
E a vida é um bem absoluto!

És também a favor da pena de morte.
Porque como és um bom católico, aceitas a pena de morte, porque o Catecismo da Igreja Católica também o admite.
E aqui a vida é um valor relativo.
Mas só aqui, não é?
Porque só aqui é que a Igreja Católica assim o determinou.

E assim tu o aceitas.
Porque és um bom católico.

E como és um bom católico, queres determinar a tua vida de acordo com os cânones da Igreja Católica.

E como és um bom católico, queres também determinar a vida das OUTRAS pessoas, de acordo com os cânones da Igreja Católica.

Porque são esses que são bons.
Para ti, e para os outros.
Afinal foi a Igreja Católica que assim o disse.
E tu és um bom católico.

E se és um bom católico, para ti a vida é um valor absoluto.
E como é absoluto, aplica-se a TODOS os casos.
Bem, a não ser na pena de morte.
Mas essa não conta.
Afinal, vem no Catecismo da Igreja Católica.
E os bons católicos sabem que o Catecismo da Igreja Católica é que é, afinal... o valor absoluto.

Para os católicos e para os que não são católicos, claro está.

Parabens, Rui: és um bom católico!

LGR

Queres mesmo que te responda a essas barbaridades todas...?
Eu faço-te a vontade, pronto, como prometido é devido:

«Mas sei que és um bom e fervoroso católico.
E que, como tal, tomas a vida como um bem absoluto.
Sem excepções!»
Sim, tens razão (nem sequer é preciso ser católico para defender isto, como é o teu caso).

«És, portanto, contra o aborto em todas e quaisquer circunstâncias. Sem excepções.»
Não.
Existe uma excepção em que caberá á mãe decidir (e tem toda a gravidez para o fazer, não só até às dez semanas!!!!), é o caso de perigo de vida da mulher grávida.
Aqui estão duas vidas em perigo e se, só podemos salvar uma delas, então que decida a única que o pode fazer.
Mas isto já está na lei e nem sequer vai a referendo, não é Luis?

«És contra os comprimidos abortivos, mesmo antes da nidação do ovo.»
Depende, porque a maioria das pilula-do-dia-seguinte não provocam a morte de um embrião.
Eu explico:
A maioria das relações sexuais (mesmo sem qualquer tipo de contracepção), não originam uma gravidez, isto é, a probabilidade de isso acontecer depende de:
1º O sémen introduzido no corpo da mulher tem de ser suficiente e em qualidade e quantidade para poder fecundar o óvulo que se encontra numa das trompas de Falópio;
2º A mulher tem de estar em período fértil e isso só ocorre durante 3-4 dias num mês (no resto dos dias não existe óvulo disponível para ser fecundado);
3º Mesmo que ocorra uma fecundação, existe uma enorme quantidade de embriões que (por razões naturais, independentemente de se tomar a pílula-do-dia-seguinte) nunca chegam a nidar na parede do útero e acabam por ser expelidos na próxima menstruação.

Assim a probabilidade de, ao se tomar a pílula do dia seguinte, a mulher provocar um aborto é muito (mesmo muito) menor do que habitualmente se pensa.
Mas essa possibilidade existe, não o escondo.
E só nos casos em que ela actua é que podemos considerar que evitou uma gravidez (destruindo um embrião é certo).
E sempre que isto acontece, só posso ser contra, mas como quem toma pílula do dia seguinte não sabe se está a matar um ser humano, tem mais atenuantes que alguém que o faz sabendo que ele já existe (por exemplo às 5,6,7,8,9,10 semanas !!).
Eu só posso ser favorável ao actual regime de distribuição da pílula-do-dia-seguinte se com isso se evitar a morte de outros seres humanos e se a mulheres que recorrem a essa contracepção de emergência não a utilizarem como contracepção de recorrência (que é o que acontece cada vez mais). Aliás foi este o argumento que os defensores da livre distribuição sempre defenderam (como as mulheres iriam ser responsáveis e saberiam ser moderadas no uso dessa pílula). Vê-se que tem sido verdade, não é?
Mas isto tudo já existe e nem sequer vai a referendo, não é Luis?

«És contra o aborto mesmo em caso de violação da mulher, de malformação do feto ou de perigo para a mãe.
Porque mesmo em todos esses casos existe vida.
E a vida é um bem absoluto!»
Acho que já respondi a isto.
E isso já está na lei e nem sequer vai a referendo, não é Luis?

«E como bom católico, és também contra a mastrubação.
Porque os espermatozóides também são vida.
E a vida é um bem absoluto!»
Vou fazer um esforço para não te responder no mesmo tom ridículo.
É claro que quando se fala em "vida" na questão do aborto estamos sempre a referir-nos à Vida de um Ser Humano, não à vida de parte de um ser humano!
Os espermatozóides são células que pertencem ao corpo do pai e os óvulos são células que pertencem ao corpo da mãe e que, em condições naturais têm como destino natural a sua destruição (a maioria dos espermatozóides formados pelo homem ao longo da sua vida são reabsorvidos ainda interior dos testículos).

Se entregares um espermatozóide do pai e um óvulo da mãe a um biólogo molecular ele dir-te-á que aquele espermatozóide provém do corpo do "João" e não de outro, e que o óvulo provém da "Maria" e não de outra mulher.
Agora, nada disto é verdade se lhe apresentares um zigoto humano ( = óvulo fecundado), aqui ele diz-te que essa célula é totalmente diferente da do João e da Maria, ele dirá que provem de um ser humano que não consta na sua base de dados (não consta porque só surgiu naquele momento único).
Ou seja é um outro ser humano, um novo Ser Humano.
Por isso é óbvia a diferença entre destruir óvulos + espermatozóides e destruir embriões humanos, neste caso o todo é diferente da soma das partes.
Assim como cada célula individual do teu corpo não possui direito à vida, mas o TODO das células do teu corpo têm. Não é isto óbvio?
É esta a diferença que eu suspeito que tu já soubesses, não é Luis?
E isto nem sequer vai a referendo, não é Luis?

«E és contra a pílula anticoncepcional. E contra o preservativo.
Afinal, és um bom católico, é isso que a Igreja Católica defende.
E a vida é um bem absoluto!»
Ser católico não quer dizer que não se lute dentro da Igreja para a mudar e melhorar, tu sabes disso.
Em algumas situações sou a favor noutras sou contra, nestas questões nem se põem o direito à vida dos espermatozóides ou dos óvulos, como já vimos, não é Luís?
São outras questões ao lado e isto nem sequer vai a referendo, não é Luis?

«És também a favor da pena de morte.
Porque como és um bom católico, aceitas a pena de morte, porque o Catecismo da Igreja Católica também o admite.
E aqui a vida é um valor relativo.
Mas só aqui, não é?
Porque só aqui é que a Igreja Católica assim o determinou.
E assim tu o aceitas.
Porque és um bom católico.»

E tu como bom ateu devias ser mais humilde e aceitar quando alguém te mostra através de factos que (como foi o caso do PKS) o que acabas de escrever não corresponde à verdade.
Mas isto nem sequer vai a referendo, não é Luis?

«E como és um bom católico, queres determinar a tua vida de acordo com os cânones da Igreja Católica.»
Sim.
Mas não é isto vai a referendo, não é Luis?

«E como és um bom católico, queres também determinar a vida das OUTRAS pessoas, de acordo com os cânones da Igreja Católica.»
Não.
Lutarei sempre por uma sociedade onde todos tenham direito a pensar e agir de formas diversas da minha, mesmo que não concordem comigo, principalmente pelo direito a discordar de mim (acho que aqui estamos de acordo).
Agora o que não me peçam é que permita que o Estado se descarte das suas responsabilidades e permita que (sobre o pretexto de estar a dar maior liberdade) os mais fortes imponham sobre os mais fracos o seu livre arbítrio.

«Porque são esses que são bons.
Para ti, e para os outros.
Afinal foi a Igreja Católica que assim o disse.
E tu és um bom católico.»
Sim, o que não implica que queira impor nada a ninguém, nem admito que alguém imponha a sua concepção individual de quando começa a vida a todo um país (principalmente quando todas a evidências apontam para que a vida começa muito antes das 10 semanas)!

«E se és um bom católico, para ti a vida é um valor absoluto.
E como é absoluto, aplica-se a TODOS os casos.
Bem, a não ser na pena de morte.
Mas essa não conta.
Afinal, vem no Catecismo da Igreja Católica.
E os bons católicos sabem que o Catecismo da Igreja Católica é que é, afinal... o valor absoluto.
Para os católicos e para os que não são católicos, claro está.
Parabens, Rui: és um bom católico!»

Muito provavelmente nem sequer sou um bom católico, mas procuro estar bem informado e ser honesto no que defendo.
Penso que um bom ateu como tu concordará comigo.

Em resumo defendo que:

Primeira premissa: É um crime matar um ser humano inocente.
Segunda premissa: Um feto humano é um ser humano inocente.
Conclusão: Logo, é um crime matar um feto humano.

Perante este raciocínio só podes discordar da conclusão se provares que alguma das premissas está errada.
Prova-o, converterás todos o apoiantes do Não, caso contrário põem em causa a lógica da tua posição.

Pois é, Rui:

Só te falta perceberes uma coisa:
- Um valor que não é absoluto, é um valor relativo.

E uma vez que admites que a vida é um valor relativo, a menos tem a honestidade intelectual de admitires que és contra o aborto não porque defendes a «vida», mas por qualquer outro motivo.

Porque a «vida», já vimos que só defendes... às vezes...

Admite que vais votar «não», porque queres impor os teus critérios éticos às outras pessoas.

Queres, isso sim, impor-lhes as tuas escolhas.

Porque se o «sim» ganhar, abre-se a possibilidade de uma mulher que queria abortar o poder fazer, e se outra mulher, pelos seus valores, não quiser abortar, não é, obviamente, obrigada a fazê-lo.

Ganhando o «não», são impostos a ambas as mulheres os valores, as escolhas e as opções de quem acha que não se deve abortar.

E um critério ético de um grupo, acaba a ser imposto a outro grupo.

Isto, caro Rui, não é correcto!!!


*

Só mais uma coisa, porque tenho (como sabes) muita consideração e amizade por ti:

Por favor lê a minha última resposta e diz-me que não és da mesma opinião que o PKS...

LGR
……………………………………

Só posso sentir pena...

Não percebeste nada do que disse, não respondes ao que te perguntei e foges constantemente sempre que vês que não tens razão.

É pena que assim seja.

Afinal nem só de lógica vive um ateu!

Um abraço,
Rui Castanhinha

…………………………………

Caro Rui:

Ainda bem que não disseste.

Ufff!!!

LGR

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Ser pelo Sim.

Ser pelo Sim é ser contra esta lei e querer uma nova lei porque esta lei condena mulheres à prisão, mas como não existem mulheres na prisão, continuar a exigir a alteração da lei porque a meia dúzia de julgamentos que ocorreu só condenou uma dúzia de pessoas e nenhuma está na prisão, e isso é inadmissível.

Ser pelo Sim é ser contra a humilhação das mulheres nos tribunais mas armar um circo mediático tão grande à volta dos poucos julgamentos que tiveram lugar, de forma a que toda a gente ficasse a conhecer os nomes e as caras das mulheres que só querem permanecer incógnitas e ao mesmo tempo dizer que como os julgamentos são uma vergonha, temos que mudar a lei, porque toda a gente viu o circo que armámos em frente aos tribunais para atrair atenções precisamente para aquilo a que nenhuma mulher que aborta quer que se saiba mas é preciso que se saiba porque senão não há razão para mudar a lei.

Ser pelo Sim é querer uma outra lei que não condene as mulheres porque são todas umas coitadinhas mas que as condene depois das dez semanas porque aí já são umas debochadas, e isso é inadmissível!

Ser pelo Sim é ser pela tolerância antes das dez semanas mas nunca depois porque aí já não se admite ser-se tolerante!

Ser pelo Sim é confiar na decisão íntima de cada mãe quando escolhe não ter aquele filho porque as mulheres não abortam por capricho, mas defender que depois das dez semanas ninguém deve confiar nas mulheres porque aí sim (quando a barriga aumenta) é que elas abortam por capricho, e isso é inadmissível!

Ser pelo Sim é querer acabar com uma lei que julgue uma dúzia de mulheres por década porque isso é inadmissível e dizer que essa lei não é aplicada e que é hipócrita porque não prende as mulheres que ninguém quer prender. É isto tudo e defender uma formidável alteração, para acabar com a hipocrisia de existir uma norma que não é cumprida, e simultaneamente propor uma outra que julgue e condene centenas de mulheres anualmente depois das dez semanas mesmo sendo essa a razão para acabar com as penas antes dessa data.

Ser pelo sim é querer acabar com todas as clínicas clandestinas porque são uma mina de ouro para pessoas horrorosas e sem escrúpulos mas defender que essas mesmas pessoas serão as mais honestas e responsáveis se se legalizarem e pagarem impostos porque aí já está tudo bem: podem viver só à custa do desespero de inúmeras grávidas mas desde que contribuam com impostos até serão ajudadas através de comparticipações a 100% das IVG com o orçamento geral do Estado. Porque assim é que está certo!
Porque, como o SNS não vai dar conta do recado, vão ser as clínicas privadas que irão garantir que exista alguém para ouvir e dissuadir a grávida de exercer um direito seu (legal, seguro e gratuito) e muito proveitoso para a clínica.
Porque até vão ser essas clínicas que vão verificar se as mulheres que lá chegam foram ou não coagidas por alguém e se suspeitarem que sim, mandarão logo investigar o caso.


Ser pelo Sim é ainda ir a tempo de aprovar uma lei que dá o direito a qualquer mãe sobre qualquer pretexto a matar o seu filho até às dez semanas porque toda a Europa o faz. Sim, ser pelo Sim é ser moderno.
Ser pelo Sim é achar que ainda vamos bem a tempo de fazer passar uma lei que muitos países já se arrependeram de a ter e estão agora a tentar mudá-la. Sim, ainda vamos bem a tempo de nos arrependermos (talvez com um atrasozinho de trinta anos, mas ainda vamos bem a tempo) , isto é ser pelo Sim!

Ser pelo Sim é querer proteger a liberdade de escolha das mulheres mais fracas mas não se ralar com a liberdade das que já existem mas ainda não nasceram. É querer proteger os mais fracos mas só os mais fracos que tenham passado para lá das dez semanas, porque assim é que é ser moderado.

Ser pelo Sim é não falar sobre quando começa a vida humana porque isso é muito complicado e, como ninguém tem certezas se "aquilo" é uma vida humana, querer dar liberdade para que cada um decida conforme acha, mas só até às dez semanas e em estabelecimento legalmente autorizado; se for depois das dez semanas ou num estabelecimento não autorizado, "aquilo" já deve ser considerado uma vida humana e quem a "interrompeu" uma vil criminosa!

Ser pelo Sim é defender que financiar anualmente, com os impostos de todos, milhares de IVG é um enorme passo em frente com a certeza que só pode contribuir para que haja cada vez menos abortos no país. É defender que legalizar faz diminuir uma prática, é defender que tornar uma prática gratuita vai fazer baixar o seu número e defender que esse é o caminho para acabar com o aborto, porque se houvessem indícios de que a legalização aumentava o número de abortos isso seria inadmissível!

Ser pelo Sim é ser pela vida humana das mulheres grávidas que querem "interromper" essa gravidez já que em Portugal todos os anos morrem dezenas (?), ou centenas (?), ou milhares (?), ou serão milhões (?) de mulheres só pelo simples facto de serem pobres e quererem acabar com a vida do seu próprio filho, que ainda não é filho porque não é pessoa mas é um ser humano que não tem os direitos de todos os seres humanos porque é só mais-ou-menos-ser-humano, e assim é que está certo!

Ser pelo Sim é achar que a gravidez pode tornar-se uma doença bastando para isso que a grávida assim o diga, já que, no nosso país as grávidas infelizes são um grave problema de saúde pública!

Ser pelo Sim é pensar que não há qualquer problema em obrigar as nossas mulheres a irem parir a Badajoz mas se lá forem abortar já é um grande problema porque não pode ser, não pode ser, e não pode ser. E se alguma mulher levantar esta questão basta chamá-la de nacionalista xenófoba para a calar e podermos descansar porque temos razão!

Ser pelo Sim é permitir que uma mulher possa "optar" cedendo às pressões do marido, da família, do patrão, da sociedade para que ela possa escolher em "liberdade" e para que não seja: espancada (pelo marido), renegada (pela família), despedida (pelo patrão), desapoiada (por todos nós) só por ser teimosa e querer ser mãe.
Ser pelo Sim é querer um mundo onde nos revoltamos com isto mas ajudamos os mais fortes a pressionar os mais fracos ao legalizar e tornar gratuito o que esses horrorosos querem impor às coitadas das grávidas.
É fazer o jogo dos horrorosos que condenamos e dizer com toda a certeza que é para o bem das mulheres.
Ou será que é para que todos possamos ter sempre mulheres bonitas, magras e disponíveis (?), afinal assim é que é ser jovem, moderno e desenvolvido: pelas mulheres-mulheres desprezando as mulheres-mãe. Que descanso é ser feminista e progressista, sempre contra todas as ideias machistas e conservadoras dos que defendem o Não...

Ser pelo Sim não é criar associações para apoiar todas as grávidas que estão desesperadas, isso não? isso é trabalho para os intolerantes obscurantistas do Não, ser pelo Sim é ver mais longe e oferecer um aborto em vez de ajuda, isso é sim é ser Sim!

Ser pelo Sim é ser-se coerente e ser-se superior aos outros, "é ser maior do que os homens" e ver mais alto.
É ser honesto intelectualmente e possuir uma lógica aristotélica inatacável já que nunca se contradiz nem é o resultado dos mais básicos sentimentos humanos mas sim o fruto da Razão Pura!


Assim Sim, vale a pena ir votar...

Viva a liberdade, igualdade e fraternidade!

Assim é o SIM. Viva o Sim!

SIM OBRIGADO!

A Vida Nasce

ADAV Aveiro

ADAV Coimbra

ADAV Leiria

ADAV Viseu

AFEP – Associação de Formação de Pais

Ajuda de Berço

Ajuda de Mãe

APFN – Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

Associação Centro Social e de Promoção Maria Mãe da Igreja

Associação Família e Sociedade

Associação Famílias

Associação Missão: Vida

Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família

Associação Protectora Florinhas da Rua

Associação Vida Universitária

ATPV

Tudo pela Vida

CAF – Centro de Aconselhamento Familiar

Casa de Protecção e Amparo de Stº António

Casa de Santa Isabel, Casa de Acolhimento

Casa de SantAna

CENOFA - Centro de orientação Familiar

Centro de Apoio à Vida da Caritas Diocesana da Guarda

Centro de Mãe e Movimento de Apoio à Grávida

Comissão de Defesa da Vida de Lamego

Comunidade Cristo de Betânea (Fátima)

Comunidade de Cristo de Betânea (Famalicão)

Convergência – Grupo de solidariedade

Enxovais da Mana

Federação Portuguesa Pela Vida

Gabinete de Apoio à Grávida

Irmãs Adoradoras – Casa de Coimbra

Irmãs Adoradoras – Casa dos Olivais

Jovens Pró-Vida

Juntos Pela Vida

Lar de S. José

Lar de Sta Helena

Lar Divino Salvador

MariAjuda Portugal

Maternidade e Vida

Movimento de Defesa da Vida – Lisboa

Movimento de Defesa da Vida - Núcleo Norte

Mulheres em Acção - Associação Lisboa

Mulheres em Acção - Associação Porto

PAV - Talentuus - Inserção Profissional

Ponto de Apoio à Vida

Presépio na Cidade

Santa Casa da Mesiricórdia de Lisboa

Sta. Casa da Misericórdia de Albufeira

VEB – Voluntariado para enxovais de bebé

Vida Norte

VIDA SIM

Vidas com Vida

Vinhas de Raquel

VivaHaVida

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Ribeiro 2

Mais uma conversa amigável com um Ribeiro...

Sr. R. Ribeiro:

Já agora deixe-me levantar uma questão: porque é que ninguém se lembra de acusar os defensores do Sim de não terem feito nada para apoiar as mulheres que tanto apregoam defender?

Se de um lado estão os "defensores do feto" e do outro os "defensores das mulheres" é estranho que a coerência só imponha aos primeiros o apoio ás mulheres e aos segundos não. (diga-se de passagem que os primeiros aceitaram o desafio enquanto os segundos só os ouvimos nos últimos 8 anos aos berros sempre que existiam julgamentos e mesmo que as mulheres julgadas tivessem abortado muito depois das 10 ou 12 semanas).

Há-de convir que se temos que exigir a alguém que apoie as mulheres grávidas esse alguém são aqueles que estão sempre com a boca cheia da "liberdade da mulher para decidir".

Ou pode haver liberdade para decidir se não houver alternativa? Como pode uma mulher ter liberdade de escolha se não houver escolha? se a escolha for continuar na miséria com mais um filho para alimentar ou o aborto? Será que ganhando o SIM existirá liberdade de escolha?

É curioso que de todas as associações que lidam com mulheres que já abortaram não exista nenhuma que se manifeste pelo Sim.

É curioso, não acha?

Rui Castanhinha

Sr Rui castanhinha

É de facto curioso!!! Porquê os do "sim"? Não são os do "não" que se arreganham todos contra essas mulheres a ponto de as quererem meter na cadeia e de as humilharem publicamente? E não são as mulheres mais desprotegidas que vão a tribunal? Então, se são tão defensores da vida como valor absoluto, por que não as defendem, repito, defendem para que não tenham necessidade de praticarem o que os senhores condenam? É de facto curioso. E é cur
ioso, como de facto o sr cai em contradição: "Ou pode haver liberdade para decidir se não houver alternativa? Como pode uma mulher ter liberdade de escolha se não houver escolha? se a escolha for continuar na miséria mais um filho para alimentar ou o aborto"? Esqueceu-se de dizer ...e a seguir a cadeia. É também curioso que o Sr não entenda que a maioria das mulheres que abortaram não venham fazer gala do seu acto. Entende as consequências, não? Mas, mesmo assim, se estivesse com atenção, algumas já o afirmaram publicamente.
O sr tem os seus argumentos e eu respeito-os. Só não aceito que a igreja católica venha com comparações ridículas como as apresentadas pelos bispos de Viseu, Guarda e Bragança. Sem esquecer as afirmações da vigararia episcopal de Vila Real e sem esquecer certos procedimentos como uma missa seguida de uma procissão com a ima
gem de Nossa Senhora da Esperança (imagem com a santa grávida) numa paróquia lá para os lados de Alcobaça, suplicando e apelando contra o voto na despenalização. Não acha isto lamentável? Finalmente, quero dizer-lhe que muitas das associações que protegem mulheres em dificuldades têm gente que votou e votará "sim" e "não". Mas, se desconhece associações defensoras do "sim" formadas depois do referendo, eu desconheço as formadas pelos defensores do "não". Curiosamente, depois do referendo, os defensores do "não" na época continuaram a encher os meios de comunicação social com NADA...

Caro R.Ribeiro, começando pelo fim quando diz:

«Mas, se desconhece associações defensoras do "sim" formadas depois do referendo, eu desconheço as formadas pelos defensores do "não".»

Eu não disse é que desconhecia.
Eu disse que não existiam! (por acaso até o ajudo e digo que existe uma, a APF, mas é a excepção que infelizmente só confirma a regra)

Mas se acha que estou enganado desminta-me, basta dizer onde estão elas!
O ónus da prova é de quem afirma que existem!

Se quiser uma lista de associações que se preocupam e lidam de perto com mães desesperadas e bebés não desejados tome nota:

Ajuda de Berço
Associação Missão Vida
Associação Portuguesa das Famílias Numerosas
Federação Portuguesa pela Vida
Fórum da Família Juntos pela Vida
Movimento de Defesa da Vida
Ponto de Apoio à Vida
Sinais de Vida
Refúgio Aboim Ascensão
Vida Universitária
Vinhas de Raquel
ETC (são mais de 50!!!!)...
(Quase todas têm site na net, vá lá ver e deixe de dizer: «eu desconheço as associações formadas pelos defensores do "não"»)

Antes de prosseguir gostaria de lhe pedir para não entrarmos numa conversa ridícula sobre quem é que tem mais "soldadinhos de chumbo".
Até poderia ser ao contrário, seria irrelevante para a validade dos argumentos de fundo sobre o referendo.
Eu apenas quero alertar para o ridículo que é criticar o Não por não se ralar com as mulheres, quando do lado do Sim nada se vê de concreto.

Só isso, mais nada, acho que aqui concorda comigo e é pena que só um lado se empenhe em ajudar as mulheres desesperadas.

A bem da verdade você vai dizer-me que também quer ajudar as mulheres: quer ajudar as que querem abortar!
Mas quanto às que estão indecisas e às que querem ter os filhos nada diz, ou seja, o Sim só ajuda com um aborto quem pondera abortar, o Não ajuda todas as mulheres para que esse aborto não tenha razão de ser e mesmo que decidam abortar nunca é recusado o apoio posterior. Protegendo a mãe e o filho.
Não acha que é diferente?

Quando pergunto:
«poderá haver liberdade para decidir se não houver alternativa? Como pode uma mulher ter liberdade de escolha se não houver escolha? se a escolha for continuar na miséria e ter mais um filho para alimentar ou o aborto?» refiro-me a um cenário de liberalização do aborto. Onde as mães deveriam poder escolher livremente, isto é, num cenário onde a escolha para a mulher é: de um lado uma sociedade que abandona a mulher a si própria e não se organiza para a apoiar e, do outro, um Estado que lhe oferece em alternativa um aborto rápido, gratuito, e limpo!
Que mundo é este?

Ela continuará miserável mas pelo menos pode escolher entre matar ou não o seu filho!

É esta a sociedade que a esquerda quer mais livre, mais justa e mais fraterna?

É irónico que, se ganhar o Sim, sejam precisamente os movimentos que defenderam o Não que mais vão lutar para que a mãe possa ter condições para ter o filho. Serão essas associações que permitirão, aí sim, que haja uma escolha livre entre duas alternativas: entre um aborto e uma maternidade com ajuda!

Eu quase que aposto que, seja qual for o resultado, assim que passar o dia 11 não existirá um único movimento pelo Sim a dar origem a uma organização que ajude as mulheres.

Foi assim em 1998 e será assim em 2007 (infelizmente). Quer apostar?