terça-feira, 31 de agosto de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Mais vale selo que parecê-lo
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
PalNiassa, os resultados de Agosto
Maputo, 19 Ago. (AIM) – Cientistas moçambicanos e portugueses descobriram no corrente Agosto, na província nortenha do Niassa, vários fósseis de répteis mamalianos (sinapsídeos).
Trata-se de animais que viveram num período crucial da evolução dos mamíferos e que, segundo os pesquisadores, podem conter informações muito importantes para a evolução deste grupo de seres vivos.
Falando durante a cerimónia de apresentação dos achados, o director do Museu da História Natural (MHN), Manuel Costa Júnior, disse que se espera desta descoberta, que se enquadra no projecto científico internacional denominado PalNiassa, mais novidades, facto que só irá garantir a compreensão do panorama geológico nacional.
“Esperamos mais novidades sobre estes antepassados dos mamíferos modernos. Desta forma, espera-se poder compreender melhor como era o passado geológico de Moçambique e contribuir para o desenvolvimento científico nacional e internacional”, disse Júnior.
Os exploradores dos fósseis afirmaram que apesar de Moçambique não ser o único país a fazer estas revelações, os materiais desvendados apresentam particularidades diferentes dos anteriormente descobertos, daí que vão contribuir de grande formar para desvendar certos mistérios da espécie.
De referir que com este novo cenário geológico moçambicano, o país transforma-se na quarta bacia mundial com descobertas de género, atrás da África do Sul, China e Rússia. A bacia moçambicana será integrada às outras com a finalidade de se saber como é que estes animais surgiram naquele local e qual é a sua importância para o surgimento de mamíferos modernos.
O material será levado a Portugal para a preparação das condições da sua conservação no MHN e não previsão das datas do regresso ao país, pois dependerá da data da finalização do preparo.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
PalNiassa 2010, Moçambique por descobrir
Mais trabalhosa é ainda se o destino for um país africano onde os recursos escasseiam e as infra-estruturas não abundam.
Fiz de cabeça uma lista dos perigos que poderíamos encontrar no campo em Moçambique e que nunca encontraríamos em Portugal. Decidi parar.
A lista é pequenina:
Mosquitos e moscas que podem transmitir malária, doença do sono e outras doenças;
Água contaminada;
Encontrar um animal selvagem de grande porte que não esteja pelos ajustes;
Ser picado por um dos muitos escorpiões e aranhas que por lá andam;
Ser mordido por uma mamba que pode espreitar de um galho de uma árvore;
Ser apanhado por uma queimada já que no inverno são muito frequentes;
Pisar uma mina antipessoal deixada durante a guerra;
Caso aconteça alguma coisa o "posto hospitalar" mais próximo está a meio dia de distância;
Etc...
Parece irresponsável ir escavar para um local assim mas deixem que vos diga que não são estes os riscos que me atormentam.
Preocupa-me não existirem em Moçambique mais parcerias e investigadores interessados em, de igual para igual, ajudar a desenvolver o país.
Incomoda-me não ver mais europeus a investir nas riquezas inexploradas, na agricultura, nas pescas, na educação, na saúde. Falta muito por fazer e o que sempre senti, em quase todos os moçambicanos que conheci, foi um empenho enorme em querer desenvolver mais o seu belo país e em estarem abertos a parcerias internacionais.
Por tudo isto lidero, com o meu colega e amigo Ricardo Araújo, o Projecto PalNiassa.
Não vamos mudar o mundo mas tentaremos deixá-lo um pouco melhor do que o encontrámos.
Moçambique está repleto de maravilhas naturais por estudar.
Esse mesmo estudo dos vestígios fósseis só nos pode fazer ver o mundo de uma forma mais completa e cheia de sentido.
Em breve teremos mais desafios mas teremos também mais novidades.
O maior perigo é não o conseguirmos fazer, é falharmos a tentar.
Vacinas sem seringas
| Novo material possibilita a auto-vacinação (Imagem: www.gatech.edu) |
Investigadores americanos estão a desenvolver uma vacina em forma de adesivo que poderá substituir as seringas tradicionais, revela um estudo publicado na revista científica Nature Medicine.
O adesivo é composto por uma centena de agulhas microscópicas de 0,65 milímetros de comprimento que dissolvem quando entram em contacto com a pele, possibilitando também a auto-vacinação.
Desenvolvido pela Emory University e pelo centro científico Georgia Institute of Technology, este novo material foi testado em ratos e revelou-se até mesmo mais eficaz na imunização contra doenças como gripe do que as seringas. Os animais que receberam a vacina anti-gripe através dos adesivos desenvolveram um sistema imunitário mais resistente do que os que receberam a vacina pelo método tradicional.
Esta nova tecnologia permite também a aplicação de vacinas em larga escala durante pandemias ou em situações de calamidade, uma vez que não necessita de ser administrada por um especialista.
Outra vantagem tem a ver com o facto de “não sobrarem agulhas perigosas no processo" de vacinação, refere Richard Compans, da Emory University e co-autor do artigo, acrescentando que pretendem fazer alguns testes em humanos nos próximos tempos.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
PaleoArt Teaching in Lourinhã - 2010
Overview
The Italian painter Fabio Pastori, winner of the 6ª CIID - International Contest of Dinosaur Illustration - (amongst 71 artists, of 22 countries) and professor Sante Mazzei, specialized in computer aided drawing techniques, will host, under the sponsorship of GEAL - Museu da Lourinhã, a brand new summer class which they have named as PaleoArt Teaching - The Complete Lost World Journey.
During the course of nine days, students will have the opportunity to know the Museum, do field prospecting for fossils, learn and live with renowned artists, and those who search scientific illustration and painting know-how.
Fabio Pastori: www.fabiopastori.it
Santino Mazzei: http://www.jurassicparkitalia.it/
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Duas navalhas, dois ingleses e algum sentido de humor
Muitas são as ironias da História.
É muito curioso que a expressão latina "entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem", tantas vezes usada pela ciência na sua luta por encontrar explicações mais parcimoniosas, tenha sido escrita por um frade franciscano em plena Inglaterra medieval: William de Ockham.
Serve a referida expressão para aconselhar que as variáveis não devem ser multiplicadas além da necessidade, ou posto de outra forma, sendo tudo o resto igual, devemos optar sempre pela solução mais simples. Quando fazemos ciência parece evidente por que devemos proceder assim e não quero, de forma alguma, colocar este bom princípio em causa. Por razões práticas dá muito jeito (perdoem-me a tautologia) que assim seja.
Apesar de extremamente útil, a navalha de Ockham, não é uma panaceia para tudo o que temos pela frente. O que fazer no caso de termos várias explicações igualmente simples? Que navalha devemos usar?
A primeira vez que pensei nisto senti-me sem rede. Nunca nos ensinaram que critério usar quando temos de escolher a melhor solução entre duas que, ceteris paribus, são igualmente parcimoniosas. Aqui, a navalha de Ockham, por mais afiada que seja, nada tem para cortar. Antes de tentarmos encontrar uma solução, façamos um salto de cinco séculos desde a idade média até meados do século XIX.
Em Novembro de 1959 publicava-se a mais fascinante obra de ciência de sempre. Continuo sem perceber como não é de leitura obrigatória em todos os cursos de Biologia. Choca-me encontrar colegas que se consideram biólogos sem nunca terem lido uma só linha da Origem e não me atrevo sequer a perguntar quantos doutorados no nosso querido instituto a leram.
On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life, foi mais que um golpe de génio, foi o resultado do trabalho de um cientista reservado e muito pouco dado a aventuras. Essa é uma das características que mais espanta na personalidade de Darwin, a sua modéstia, quase a roçar a falta de coragem, onde prevalecia uma resistência gigante às mudanças bruscas e, ao mesmo tempo, é nesta mente que germina a teoria da evolução por selecção natural.
Ele coloca a Biologia de pernas para o ar, iluminando um mundo que assim teria uma matriz puramente empírica para o explicar.
É belo ver o Homem pensar sobre o mundo e, sem desculpas fáceis e demasiadas vezes falsas, explicar e compreender o que está fora dele. O Homem pode muitas vezes bastar-se a si próprio.
Muitas vezes nos perguntamos "e se não fosse ele"...
Com certeza que viria outro, Wallace chegou a conclusões quase idênticas de uma forma independente. Apenas o tempo ditaria qual seria o outro a ficar com os créditos. Mas, o espanto não é que pudesse ter sido outro, o espanto é que não tenha sido!
O jovem de Shrewsbury foi sempre um candidato muito improvável. Não corresponde a nenhum dos nossos estereótipos de cientista genial, nem a Einstein, nem a Lineu, nem a Newton e muito menos a Galileu ou Aristóteles. Nada disto, Darwin é o mais modesto e acanhado de todos, um banal cidadão britânico do século XIX. Competente, trabalhador, bem integrado e bem relacionado. Foi chocante que um deles, um entre iguais, estivesse a demonstrar que mais não somos que feitos da mesma massa que todos os outros povos e culturas, temos a mesma origem: somos os mesmos. Foi um vulgar que revolucionou a forma de nos vermos a nós mesmos. Todos somos irmãos e não há povos nem gentes superiores, nem em géneros nem em cores nem em espécies, todos evoluímos em conjunto e foi essa mesma dança que produziu e continua a produzir tantas e tão diversas formas de vida.
Darwin revelou a um amigo em 1954 que publicar a sua Teria da Evolução era "como confessar um crime". Esta expressão seria impensável na boca de qualquer outro revolucionário nas ciências. Darwin é, também ele, um de nós, um entre iguais. Foi um génio, mas bem mais próximo de nós do que dos excêntricos e incompreensíveis vultos da Física, da Matemática, da Química ou de todas as outras artes dos espectáculo.
Pode ser contra-intuitivo, mas torna o mundo muito mais divertido pensar que foi entre burgueses vitorianos que a mais brilhante descrição do mundo vivo surgiu. Muito embora (e por ser) extremamente improvável, Darwin apresentou a solução mais divertida. Imaginar milhões de espécies a partilharem uma ancestralidade comum e conceber que todas essas formas se tenham modificado mutuamente, ao longo de milhares de milhões de anos, pouco a pouco, até termos a maravilha natural que nos rodeia, tem muito mais graça, que crer num mundo criado estático e inviolável.
Darwin observou, compilou e integrou uma montanha de factos para chegar às conclusões que expôs na Origem das Espécies. Já na altura não existia sequer uma igualdade de circunstâncias mas foi também a solução com mais humor que prevaleceu. Se tivermos sempre este princípio em mente, podemos juntar mais uma navalha ao nosso estojo epistemológico dizendo que: em caso de igualdade, devemos escolher a hipótese mais divertida.
Pelo menos, enquanto não provarem o contrário, teremos um mundo com muito mais piada.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Two razors, two Englishmen and some sense of humor
History is made of ironies. It is curious that the Latin expression “entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem”, so often used by scientists in the search for ever simpler explanations, was first written by a medieval English Franciscan monk, William of Ockham.
The principle now known as Ockham’s razor says that variables must not be added beyond necessity and counsels that, if everything is equal, the simplest explanation is usually the correct one. In science it seems evident that this should be the case and I wouldn’t want to contradict it in any way. For practical reasons comes in very handy (sorry for the tautology) that we should always use this razor.
Although extremely useful, Ockham’s razor is not applicable to everything we come across. What should you do if all possible explanations are equally simple? In this case, which razor shall we use?
The first time I thought about this I felt I was going into freefall. We were never taught which criteria to use when facing, ceteris paribus, two equally simple and plausible solutions. Here, Ockham’s razor, as sharp as it may be, can’t do the job. Before finding a possible solution, let’s jump five centuries, from the medieval ages into the middle of the 19th century.
In November 1859 the most amazing book about science of all times was published. The reading of which should be compulsory for all biology based courses. It is shocking to find colleagues that call themselves biologists and yet have never read even one sentence of the Origin. I don’t even dare to ask how many PI’s in our beloved institute have not read it. On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life, was more than a stroke of genius. It is the result of hard labour by a reserved scientist, one not much given to adventures. This is one of the characteristics that amazed me most about Darwin’s personality: his modesty, almost blurring into lack of courage, where resistance to dramatic changes lived alongside the theory of evolution by natural selection. He turned biology upside down, shedding light on a world that had just started to have a purely empirical explanation basis. It is beautiful to see Mankind thinking about the world, explaining and understanding nature without turning to easy and so many times false, explanations.
Sometimes we may ask ourselves “if it hadn’t been for him...”.
Surely someone else would appear. Wallace came to almost the same conclusions independently. Only time would tell who else to credit.
The awe comes not from the thought that could be someone else, but from the fact that it was not someone else!
The young naturalist from Shrewsbury was always an underdog. He doesn’t conform to any of our stereotypes of a genius: not to Einstein, to Linnaeus, to Newton and even less to Galileo or Aristotle. Darwin was the most modest and shiest of them all, a simple British citizen of the 19th century: competent, hard working, a solid member of society and a well connected one. It was outrageous that one of them, a gentleman, was showing to the world that we are not superior to anyone from a different culture or society: that we all have the same origin. It was a common person that changed the way that we see ourselves. We are all brothers and no society or people are above others, neither in gender, colour or species. We all evolved together and, in this global dance, so many and so diverse life forms arose.
Darwin told a friend in 1884 that to publish his theory was “like confessing a murder”. This expression is unthinkable for any other revolutionary of science, but Darwin is like all of us, he was one amongst equals. He was a genius, yet closer to us than other incomprehensible eccentric figure from Physics, Mathematics, Chemistry, or any other field of show biz.
It may not be very intuitive, but is certainly funnier, to think that it was amongst the Victorian aristocratic classes that the most brilliant and subversive description for the origin of Life arose. Even so, and because it was so improbable, Darwin presented the most curious solution. To imagine millions of species sharing a common ancestor, and conceive that all of these forms have mutually modified each other over billions of years, giving rise to all this beauty that surround us, is by far more amusing than to believe in a static and immutable world.
Darwin observed, compiled and integrated a mountain of facts to present the conclusions that he wrote in the Origin of Species. Even at that time there was no equality of circumstances, yet it was the funnier solution that prevailed. If we have this principle in mind, we can add another razor to our epistemological tool bag proclaiming that, if all solutions are equally plausible and simple, choose the funniest.
At least, and until proven wrong, we will have a droller new world.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Parabéns, capa da Nature
Notícia do expresso:Afinal, o protão é mais pequeno e ameaça Teoria Quântica
Uma equipa de cientistas que inclui oito portugueses descobriu que o protão, um dos constituintes da matéria, é mais pequeno do que se pensava, o que pode por em causa a Teoria Eletrodinâmica Quântica. A descoberta é capa da "Nature".
PaleoArte na Lourinhã
Em Agosto próximo decorrerá na Lourinhã um curso de ilustração de científica de dinossauros.A instituição promotora é o Museu da Lourinhã e já estão abertas as inscrições.
Não percam! Inscrevam-se.
Transcrevo o texto de apresentação:
O pintor italiano Fabio Pastori, vencedor da 6ª edição do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros (entre 71 artistas, de 22 países) e o professor Sante Mazzei, especializado em técnicas de desenho apoiado por computador, vão proporcionar sob os auspícios do GEAL - Museu da Lourinhã, um inédito curso de verão que designaram por PaleoArt Teaching - The Complete Lost World Journey.
Ao longo de nove dias, haverá tempo para conhecer o Museu, prospectar jazidas próximas, aprender e conviver, com artistas consagrados e com os que buscam os saberes da ilustração científica e da pintura.Mais informações aqui
sábado, 3 de julho de 2010
A tristeza vem de Espanha
Num futuro mais o menos próximo o mesmo acontecerá em Portugal.
Já cansa repetir o que é por demais óbvio, mas o nosso querido Portugal terá o mesmo destino que os outros países.
Não é necessário ser nenhum Bandarra para saber que a nossa lei do aborto não ficará inalterada e (contrariamente a todas as garantias que foram dadas pelo apoiantes do Sim) tenderá a:
- Ficar cada vez mais banal e comum - Depois do referendo a esquerda portuguesa tratou de fazer algo que os portugues não votaram. Não se limitou a tratar de por em prática o que foi referendado. A "despenalização da interrupção voluntária da gravidez" foi liberalizada, passando não só a ser legal mas também (coisa que ninguém votou) gratuita e executada com prioridade máxima no hospitais públicos (suspeito que actualmente se façam abortos em locais onde já se deixaram de poder fazer partos).
- Menos polémico - Sendo banal deixou de ser discutido, é um direito assumido e ninguém quer deixar de ter esse "direito". Outros argumentos que se ouvirão, rezarão assim: "afinal a minha tia já abortou duas vezes, a minha irmã também e eu já fiz um, por que razão acham que isso deveria deixar de ser legal? Era o que faltava considerar toda a minha família , e eu própria, como criminosas!"
- Aumentar em número - Especialmente nas jovens em idade fértil. Basta ver o que aconteceu nos outros países. Foi assim em Espanha e foi assim em todos os países onde se legalizou o aborto. Gostava de ver o números oficiais destes primeiros anos de aborto legal em Portugal.
- Variados grupos políticos continuarão a tentar aumentar os prazos e condições em que as mães grávidas poderão abortar. Nenhum, repito, nenhum dos discursos que ouvi ou li defendendo o direito a abortar se debruçou sobre qual a razão das famosas 10 semanas. Disse várias vezes aqui no Conjurado que todos os argumentos que defendem o aborto até às 10 semanas são válidos depois desse prazo. Não acreditam? Experimente fazer o seguinte exercício, lembrem-se do(s) argumento(s)/razõe(s) mai(s) forte(s) que conheçam para defender o direito a abortar até às 10 semanas, agora repitam-no(s) mas troquem a expressão "até às 10 semanas" e coloquem "até às 11" ou "até às 12" e vão aumentando. Os argumentos perdem a validade? Se não perdem, esperem, que em breve os ouviram nos discursos dos nossos deputados muito em breve.
- Contrariamente ao que foi sempre dito pelos apoiantes do Sim, o aborto passou a ser liberalizado, banal, muito mais comum e passou a ser usado como método contraceptivo. E sabem que mais? ninguém acha isto mal porque afinal é assim que tem de ser porque a lei o diz. Ou seja, a lei sempre ajuda a construir a moralidade de um Povo. Lembram-se quem dizia que isso era assim e quem defendia que o que a lei dizia pouco importava, já que, as pessoas que tivessem de fazer um aborto nunca o deixariam de o fazer, dissesse a lei o que dissesse? Afinal a lei sempre influência o comportamento dos cidadãos.
É muito triste, mas duvido que em breve possamos vir a ter qualquer correcção a este disparate enorme que é tornar a morte de pessoas inocentes legal e subsidiada pelo Estado. Suspeito também que seja em breve que as coisas vão piorar. Pelo menos, neste caso, a História não é um caminho inexorável em direcção ao aperfeiçoamento moral da humanidade.
Resta a esperança que a longo prazo passemos todos a achar que os direitos do Homem não são só para os que nascem mas para também para os que, já existindo, ainda não tiveram a oportunidade de nascer, mesmo que tenham menos de 10 semanas.
terça-feira, 22 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Bomba relógio
O teu amor quando palpita
verdade seja dita
põe rastilho no meu peito
trinta batidas num só beijo
sem defeito.
Feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
o teu amor passa ao ataque
feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
eu à defesa ele ao ataque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio
O teu amor quando palpita
verdade seja dita
faz-me atrasar os ponteiros
como a ostra esconde a pérola
aos viveiros.
Feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o coração um baque
feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o corpo todo um baque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio.
sábado, 5 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Entrevista
Interview: Ricardo Araújo on Journal of Paleontological Techniques
Tell us a little aboutJournal of Paleontological Techniques. How did the journal get started?The Journal of Paleontological Techniquesgot started due to the difficulties that we felt in theMuseu da Lourinha (in Portugal) to get access information relative to preparation. Unfortunately it is extremely hard for a peripheral country to have access to the know-how developed in the great centers of knowledge, namely central Europe and the US. So, we had to find an economical way without detriment of scientific rigor; publishing and editing articles using an open access philosophy seemed the right solution. Furthermore, the lack of a systematic compilation of paleontological techniques is evident in the literature.
What makes Journal of Paleontological Techniques unique?
There are a few things that make our journal unique:
- There is no other journal focused on the practical side of paleontology. Some typical paleontological journals publish sporadically on paleontological techniques, and there are a handful of printed publications. However, there is an immense quantity of knowledge acquired by generations of preparators that is hard to access if you cannot go to the main conferences or workshops.
- Also, preparation is practical in its essence. Thus, our papers can include videos and as many photos as necessary to make a technique easily perceptible. Most of the time it is difficult to express these techniques in words.
- Our publications are edited in volumes. Each article is published by itself as a volume, which decreases the total amount of time for publication. This flexibility allows us, for example, to publish annals of congresses or symposia.
- Our journal is totally open access and double-blind peer-reviewed. This doesn’t make our journal unique but certainly a “rare specimen.”
What advice would you give to authors who are interested in submitting their manuscripts to JPT?
Write! The preparation community is not used to writing about their findings, some of which are extremely important and can save thousands of euros for paleontological institutions. To spread paleontological techniques is to advance paleontology as a whole. Preparation is a science as well, in its most Popperian essence. To test and refute paleontological techniques is possible, and in fact, is done by all preparators everyday when we use different products, methods and tools, striving for the best way to do something efficiently.
What kind of difficulties, if any, have you encountered in editing JPT? How have these been solved?
When we embraced this project we quickly realized that the challenge was not to create the space to publish practical-paleontological ideas, but almost to change the status quo that preparators face nowadays. Institutions hire preparators to prepare fossils, not to write scientific articles. However, to my eyes, that is a rather limited view about the role of preparation. Preparation is the technical side of paleontology, and like any other science paleontology has its own methods—methods that are publishable. Actually, methods that are required to be published. Moreover, thinking strictly in an economic perspective, by spreading this sort of knowledge, preparator’s employers will quickly realize that they can save money by KNOWING and SHARING their knowledge.
In order to circumvent this problem, we are trying to present at as many events related to preparation as possible, not only to publicize the journal itself but also to spread the ideas behind it. We are part of mailing lists, groups of geosciences journals, and a gazillion things like that. For every preparation-related paleontological event that we know, we try to contact the organizers in order to publish the abstracts or edit a volume with selected papers. We are currently trying to organize an opinion paper that will be submitted in a mainstream paleontological journal, about the underestimation of the importance of preparation/paleontological techniques as a legitimate science. We recently got a wave of papers submitted, and hopefully it will be sustainable.
What has been the best part of editing a journal like JPT?
What I enjoy most about this project is actually the spirit of the journal and the challenge it represents. I believe the actual scenario is difficult, but not impossible to surpass. Ideally we would like to get help and cooperation from various areas of the preparation community, starting from the preparators themselves, up to the heads of departments, and paleontologists.
Image credit: courtesy Ricardo Araújo, originally published at Palaeontologia Electronica.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Até que enfim...
Parabéns a todos e todas que se vão poder casar em breve em Portugal e que não o podiam fazer antes.
Agora lá que isto não acaba aqui não acaba... o passo seguinte é por demais óbvio.
A adopção por casais do mesmo sexo é só uma questão de tempo.
Não só porque a lei tal como fica agora, é inconstitucional, como também porque é inevitável que assim seja. A nossa sociedade tratará de fazer a lei mudar de novo.
E se querem que eu vos diga, a pesar de me estar nas tintas, acho muito bem!
Cavaco ficou muito mal na fotografia.
Não concorda, mas promulga.
Podia vetar? Podia
Mas não o vai fazer? Não
E não serve o veto para vetar as leis com as quais não concorda? Sim
Mas vai promulgar? Vou
Enfim... triste figura.
Tudo isto por duas razões:
1. Porque se a lei fosse vetada, provavelmente, seria aprovada de novo no parlamento e teria de ser promulgada em 8 dias pelo Prof. Cavaco.
2. Porque não podemos desviar as atenções da crise actual.
Ou seja, ficámos todos a saber que o nosso Presidente só vetará os projectos lei que tenham a garantia de, caso sejam vetados (e, como é obrigatório, tenham de voltar ao parlamento) não obtenham maioria de novo. Não estou a ver os nosso deputados a brincarem aos políticos: "vamos lá mandar o barro à parede e ver se passa, por que se vier para trás não o aprovamos de novo..."
Ora como não estou a ver que isso alguma vez venha a acontecer, também não estou a ver o nosso Sr. Presidente com coragem, pelo menos até ao final do mandato, para vetar seja o que for.
E de uma só assentada, aprendemos também que não se devem vetar os projectos lei que possam distrair da crise. Como não vamos sair da dita cuja tão rapidamente, o convite fica feito, agora é que é para aprovar tudo o que gere polémica, e quanto mais melhor, porque quanto mais alarido der um projecto lei, menos provável é que o nosso presidente o vete.
Sabem... é que distrai as atenções da crise (a tal que ele nem tem nada a ver).
Obviamente esta história não termina aqui. Copio parcialmente um post do meu amigo Luís Grave Rodriges que diz com muita razão:
Para além de (basicamente) ter alterado a redacção do artigo 1.577º do Código Civil, exactamente a norma que define a noção de casamento civil, retirando-lhe a expressão «de sexo diferente», esta nova lei veio também restringir expressamente no seu artigo 3º a possibilidade da adopção por pessoas casadas com cônjuge do mesmo sexo. Ora, e como é por demais óbvio, esta norma é claramente inconstitucional.
E por três motivos:
- Primeiro, porque estabelece uma distinção entre formas de casamento em razão do sexo e da orientação sexual dos respectivos cônjuges;
- Segundo, porque retira, a quem já antes a tinha, a possibilidade de adopção a quem se case com pessoa do mesmo sexo;
- Terceiro, porque trata o casamento entre pessoas do mesmo sexo como uma espécie de “casamento menor” em relação ao casamento entre pessoas de sexo diferente.
Estas inconstitucionalidades são tão flagrantes que se está mesmo a ver que se devem a uma mera estratégia do Governo (que, diga-se de passagem, não lhe ficou nada bem), que não quis “chocar” muito as pessoas quando apresentou a sua proposta de lei do casamento homossexual à Assembleia da República.
E são tão inequívocas que até o próprio Presidente da República teve o cuidado de não pedir especificamente ao Tribunal Constitucional a apreciação da constitucionalidade deste artigo 3º. Como muito bem sabia o Sr. Presidente, o resultado seria mais do que esperado, e é por isso que a sua atitude revela, da sua parte, uma grande falta de honestidade política.
Perante isto, o que se passará agora a seguir?
Pois bem: Teremos agora de esperar que um casal homossexual se apresente a uma entidade administrativa qualquer, e requeira um processo de adopção. Depois, perante a recusa da adopção com o fundamento de que o casal é composto por dois cônjuges do mesmo sexo, é só recorrer judicialmente da decisão – até ao Tribunal Constitucional.
E aí, como sabemos, “o caminho das pedras” é já de todos conhecido... Por outras palavras: A adopção de crianças por casais homossexuais em Portugal não é mais do que uma mera e simples questão de tempo.
Vamos lá ver quanto tempo demora agora.
Post 200
A todos os que me aturam há tanto tempo aqui fica uma homenagem em jeito de pensamento:
Se estão a ler este blog na Europa, Ásia ou América, é muito provável que tenham (aproximadamente 4%) de genes Neandertais.
Se o estão a ler em África, podem ter (quase) a certeza que não têm uma pinga de sangue Neandertal.
Esta regra não é totalmente correcta mas dá uma perspectiva engraçada sobre o Mundo.
E fica a dúvida, se os Homo sapiens e os Homo neanderthalensis puderam procriar e deixaram descendentes férteis, então...
... segundo o conceito biológico de espécie, somos a uma só espécie biológica!
Não acham isto lindo?
É claro que ninguém se vai atrever a juntar as duas mas, para dizer a verdade, deveríamos!
Com a quantidade de neandertais que para aí andam já deveríamos todos estar à espera disto, mas enfim, em ciência temos de ter provas.
E aqui fica o link para o artigo da polémica.
PS: Entretanto, é o Zilhão que se deve estar a rir disto tudo. Parabéns, muito embora nem eu estivesse convencido, aqui tiro o chapéu.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A visita do Papa
... tem gerado em vários países, Portugal é um deles, um surto de imbecilidade considerável. À falta de anticlericalismo popular, há agora uma nova forma de anticlericalismo intelectual de parte da esquerda « fracturante ». Enquanto não houver um Papa que seja mulher, lésbica, negra, de preferência não crente, e que vote nos EUA no Obama, os Papas, em particular este, são alvos preferenciais. E este acirra os ânimos de forma muito especial porque é branco, alemão, conservador, teólogo, e conhece bem demais a impregnação da doutrina cristã pelas variantes na moda desde os anos sessenta de « progressismo » esquerdizante. A absurda intolerância dos « fracturantes » exerce-se então em toda a sua amplitude.
(Pacheco Pereira, Retirado do Abrupto)
Post roubado
Seja como for foi um golpe incrível. Um golpe do catano!
As obras roubadas são "Le pigeon
domingo, 16 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Protesto fotográfico 2
Neste momento estão a ser discutidos no Parlamento vários projectos lei que visam a actualização das Bolsas de investigação científica.
Com a intenção de sensibilizar os nossos deputados são já vários os institutos de investigação que se organizaram numa forma de manifestação original em Maio.
Através de um protesto fotográfico descentralizado.
A ideia é que em cada local de trabalho os bolseiros combinem uma hora para se encontrarem e tirarem um foto conjunta (com cartazes reivindicativos, ou outras formas criativas de protesto e apelo à aprovação de um novo Estatuto justo e digno).
As fotos devem ser enviadas à direcção da ABIC que as compilará e tornará públicas.
Sugiro a todos os investigadores que façam o mesmo por mais pequenos que sejam os seus grupos de investigação. Escrevam ao parlamento (é muito simples, vejam como fazê-lo aqui), coloquem as fotos nos vossos blogues e comuniquem a notícia a todos os que puderem por email, carta, telefonemas ... Agora é o momento de agir!
Eu participei no do ITQB em representação dos bolseiros de Oeiras.
Cá está a foto, para que a Ciência cresça em Portugal!

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segunda-feira, 10 de maio de 2010
Florestas, capuccinos e fósseis: como ver tudo de pernas para o ar…
Uns acham que estamos numa crise como nunca vista e por isso é a pior altura para se viver, outros, que agora é o melhor momento para apostar e investir.
Parece-me que não há nada melhor que olhar para o mundo de uma outra forma, com um pouco de ciência.
Reparem. Um biólogo quando olha para uma floresta tropical consegue imaginá-la de uma forma muito diferente do que estamos habituados.
Consegue vê-la através dos olhos das espécies que nela vivem. A esmagadora maioria das espécies que que habitam qualquer floresta tropical não está no solo, nem nos ramos, mas sim no topo das copas das árvores. São insectos! E para eles uma floresta é um manto de folhas verdes aos altos e baixos constantemente ao Sol. Por debaixo, existe um inferno escuro, sem luz, onde vivem meia dúzia de espécies estranhas, enormes…que, se os apanharem lá em baixo comem-nos imediatamente.
Quando um astrónomo olha para o céu através de um telescópio, sabe que o que vê está tão longe que os fotões provenientes das estrelas tiveram de percorrer muitos milhares de anos à velocidade da Luz até poderem formar uma imagem na sua retina.
O fisiologista sabe que o que o astrónomo vê não é a luz que viajou tão rápido de tão longe. “Ver” é o resultado de um padrão de vários impulsos eléctricos provenientes das células da retina e descodificados pelos neurónios existentes na parte de trás do nosso cérebro.
O biólogo vê o cérebro humano como uma estrutura fascinante resultado de milhões de anos de evolução em ambientes tão diversos como o mar, a selva, a savana e mesmo as nossas cidades modernas.
E o paleontólogo sabe que esse cérebro surgiu há tão pouco tempo e que esse acontecimento foi tão único, que essa visão só pode aumentar a sua humildade e respeito por todas as formas de vida que nos rodeiam neste nosso planeta azul.
Se quisermos mesmo ser honestos a Terra nem é o nosso planeta, somos apenas habitantes muito recentes e lá porque alguns de nós conseguem escalar o Evereste, viver nos pólos, e atravessar os desertos mais inóspitos achamos que dominamos o mundo. Nada disso. Se quisermos ter uma ideia sobre a importância das bactérias temos, mais uma vez de inverter a nossa percepção do mundo.
Imaginem um copo de capuccino.
A
parte líquida seria proporcional à quantidade de bactérias, a espuma à quantidade de plantas e o chocolate no topo seriam o resto dos outros seres vivos na Terra.
As bactérias são sem dúvida as principais habitantes do nosso planeta, vivem em todo o lado, mesmo dentro de nós. Algumas, podem viver enterradas a vários quilómetros de profundidade na crosta terrestre enquanto outras só vivem felizes a nadar em água a ferver.
Quando eu tinha seis anos de idade o meu avô mostrou-me uma foto do Hallucigenia, um fóssil com mais de 500 milhões de anos! O animal extinto era tão estranho que os cientistas só descobriram mais tarde que o tinham desenhado de pernas para o ar. Assim que descobriram mais fósseis, tiveram de fazer novos desenhos e rescrever os livros.
Não sei o que vocês acham, mas eu gosto, enquanto cientista, de ver o mundo assim, como uma criança de seis anos, sempre maravilhada com o Mundo e sempre pronta para por tudo de pernas para o ar, desde que isso faça mais sentido.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Protesto Fotográfico
Com a intenção de sensibilizar os nossos deputados são já vários os institutos de investigação que se organizaram numa forma de manifestação original entre 3-7 de Maio.
Através de um protesto fotográfico descentralizado.
A ideia é que em cada local de trabalho os bolseiros combinem uma hora para se encontrarem e tirarem um foto conjunta (com cartazes reivindicativos, ou outras formas criativas de protesto e apelo à aprovação de um novo Estatuto justo e digno).
As fotos devem ser enviadas à direcção da ABIC que as compilará e tornará públicas.
Eu participei no do ITQB.
O Instituto Gulbenkian de Ciência também teve direito a protesto e aqui segue a foto que tirei há poucos minutos atrás...

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quinta-feira, 6 de maio de 2010
FameLab 2010
Não percam a Final Nacional do primeiro concurso de divulgação de ciência em Portugal.
São 10 finalistas, cada um com 3 minutos para falar sobre Ciência.
Para entrarem inscrevam-se em: http://www.cienciaviva.pt/actividades2010/final_famelab/
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Papa em Lisboa
domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Mais que uma árvore
Como surgiram tantas espécies e como se tornaram tão diferentes?
Parecem perguntas de uma criança de seis anos mas Darwin chamou a estas questões o mistério dos mistérios.
A primeira vez que pensei nisto não foi fácil encontrar uma resposta e, deixem-me que vos diga, ao longo da História foram muitas as tentativas para encontrar uma solução.
Desde fantásticas histórias sobre deuses e deusas até animais que sempre existiram e que nunca se modificaram....
Em pleno séc. XIX Charles Darwin esboçou a forma como as espécies evoluíram ao longo dos tempos, desenhando aquela que é a primeira árvore da vida alguma vez feita.
Este desenho continha lá todos os conceitos que actualmente consideramos modernos para estudar biologia evolutiva.
Ao longo do eixo vertical temos o tempo, onde uma espécie deu origem a várias.
Nem todas as espécies chegam aos nossos dias, existem várias que se extinguem. Aliás, hoje sabemos que, ao longo da evolução, o mais comum destino de qualquer espécie é desaparecer. Poder sobreviver, dando origem a novas espécies, é uma pequenina excepção à regra.
Reparem que as que são mais próximas estão ligadas por um ancestral recente e todas as espécies, por mais afastadas que estejam, apresentam sempre um ancestral comum.
E, a melhor parte do desenho talvez seja a pequena frase que ele escreveu no topo do caderno: I think. Acho eu, ou penso eu.
Nunca uma frase tão curta teve tamanha importância na forma como vemos o mundo.
Ainda hoje em dia, o que os biólogos tentam perceber é COMO é que de uma só espécie surgiram tantas e tão belas formas de vida.
Quando, actualmente, queremos saber isto o que fazemos é colocar numa tabela duas listas: uma com espécies e outra com características. Essa tabela é preenchida com muitos e muitos dados. Normalmente usamos zeros e uns, mas podem ser dados moleculares (ou outros). Para terem uma ideia, só preencher a tabela, pode demorar muitos meses. No final, os dados são introduzidos num computador que, usando o mais sofisticado software disponível, calcula todas as relações possíveis entre as espécies em causa e mostra-nos a melhor árvore que as representa.
Chamamos a isso uma análise filogenética.
Após várias horas, senão mesmo dias a calcular, o resultado é um simples esquema em forma de árvore, muito parecido com o que Darwin desenhou há mais de 150 anos. Normalmente tem mais ramos, como é claro, mas tudo o resto, está lá. Aparecem as espécies que se extinguiram, vemos as espécies mais recentes no topo e a ancestrais na base da árvore. Este tipo d
e análise pode ser aplicada de muitas formas diferentes e pode ser tão robusta que nos permite estudar relações evolutivas entre vírus e determinar quem infectou quem, em que altura e dizer até de onde é proveniente uma determinada estirpe.
E deixem-me que vos diga, pensar que uma simples ideia que surgiu há bem mais de século e meio pode dar sentido a todas as formas de vida que nos rodeiam desde as plantas do nosso jardim até ao maior dinossauro que alguma vez existiu, é simplesmente fascinante.
Somos o produto final deste campeonato ininterrupto a que chamamos Evolução das Espécies, sem nunca termos perdido um único jogo.
É esta afinal, a razão por que todos estamos aqui.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Igreja e pedofilia
Mas, como qualquer bom provocador, o Conjurado não podia ficar sem postar nada.
Copio, um texto de José Luís Seixas que encontrei por aí...
« Primeiro lugar-comum: A Igreja Católica é constituída por homens sujeitos às fragilidades da sua condição é um lugar-comum. Poucos são os ungidos pela Santidade. O Povo de Deus é formado por pecadores que esperam a remição das suas faltas. E tantas são.
Segundo lugar-comum: As denunciadas práticas de pedofilia imputadas a sacerdotes católicos são chocantes e indignam de forma especial os próprios católicos. São ofensas gravíssimas às crianças e a Deus, cometidas por quem as devia proteger e educar.
Terceiro lugar-comum: O ocorrido em instituições da Igreja Católica passou-se em instituições de outras Igrejas, de organizações laicas, do próprio Estado e passa-se, infelizmente, no seio de muitas famílias. Entre nós o infindável “Processo Casa Pia” deixou no ar muitas e muitas interrogações sobre os comportamentos de uns e as omissões de outros. E falamos de tempos recentes. Não remontamos a meio século atrás em que a valoração destes actos era outra e os silêncios acobertavam prevaricadores com relevância pública conhecida.
Quarto lugar-comum: Esta factualidade nada justifica ou branqueia. Ao contrário do mundo secular, a Igreja prostrou-se perante o sacrifício e a dor das vítimas de tais perversões. Pediu desculpa num gesto de profundo sofrimento. Reparou o que pôde reparar. E submeteu à Justiça dos homens os crimes praticados.
O que também é lugar-comum: Tudo isto é indiferente ao fundamentalismo ateísta, alimentado por ódios, recalcamentos e muita irresponsabilidade. Ver beliscada a autoridade moral da Igreja através de comportamentos indignos de alguns sacerdotes é uma prebenda que desfruta com indizível deleite. Ao pé desta campanha, o anticlericalismo jacobino da Carbonária era um jogo de playstation! »
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Para que serve estudar Evolução
Eu respirei fundo e disse:
- Não sabes para que serve a Evolução? Serve para poderes ver melhor.
Ele respondeu-me:
- Como as cenouras que têm vitaminas?
- Mais ou menos como as cenouras, mas melhor ainda, porque te faz ver o mundo de uma outra forma.
Já pensaram nisso? Para que serve estudar a Evolução?
Actualmente existem entre 1.5 e 1,8 milhões de espécies já descritas. Segundo algumas estimativas, faltam identificar entre
Acham muita bicharada?
Podemos multiplicar esse número por mil se quisermos ficar com uma estimativa do número de espécies que existiram mas já se extinguiram.
Caminhamos todos os dias sobre sedimentos com inúmeros fósseis que são a prova literal de que já cá não estão. Por diversas razões não deixaram descendentes.
Portanto, entre as inúmeras espécies que, ao longo da idade da Terra foram evoluindo a partir de um ancestral comum, muito poucas foram bem sucedidas.
Como foi isto possível?
Darwin, melhor que ninguém, resolveu o enigma há 150 anos.
Bastaram 3 palavras: Variação, Hereditariedade, Selecção.
Variação: Facilmente reconhecemos que somos todos diferentes uns dos outros e que não existem dois animais exactamente iguais. Uns são mais altos outros mais baixos, uns correm mais outros correm menos. Existe imensa variação.
Hereditariedade: Somos todos mais parecidos com os nossos pais do que com os pais dos nossos vizinhos… eu, pelo menos, estou convencido que sim e espero que vocês também. ;) Isto é, apesar de sermos diferentes a nossas características são transmitidas de pais para filhos.
Selecção: Nem todos os organismos sobrevivem para deixar descendentes. Se não acreditam em mim façam as contas.
Algumas estirpes de bactérias levam apenas uma hora a dividir-se em duas.
A maioria das bactérias ocupa uma área um milhão de vezes mais pequena que um milímetro quadrado! A Terra tem 510 milhões de quilómetros quadrados.
Se a nossa bactéria se dividisse em duas ao fim de uma hora e essas duas ao fim de outra hora se dividissem em quatro, e por aí fora…Seriam necessárias apenas 90 horas para cobrir toda a Terra. Menos de 4 (quatro) dias!!
Nem todas as bactérias deixam descendentes e o mesmo é verdade para o resto dos seres vivos. Ou seja, a Natureza selecciona a sua própria variação.
Repetindo este ciclo, ao longo de muitas gerações, temos aquilo a que se chama de Selecção Natural. A Natureza selecciona-se a si mesma e todos os animais e plantas que hoje vemos são fruto de uma origem comum, que poderíamos representar numa árvore da vida bem maior que qualquer árvore genealógica alguma vez feita pelo Homem.
Somos todos primos mais ou menos afastados, desde os insectos do nosso jardim até à enorme baleia azul. Mais que isso, nunca nenhum dos nossos antepassados directos ficou sem filhos que também não tivessem outros filhos. Somos o produto deste campeonato ininterrupto sem nunca termos perdido um único jogo.
Da próxima vez que tiverem uma depressão lembrem-se disto, somos todos campeões! É bem melhor que tomar um comprimido. ;) É mais ou menos como as cenouras mas ainda melhor!
Parabéns ao Tomás pela foto.
A árvore filogenética representa apenas 0.18% das espécies já descritas. Imaginem como seria com o resto...
domingo, 18 de abril de 2010
Parabéns João
Português foi o 10.º homem a subir as 14 montanhas com mais de 8000 m sem oxigénio
artificial.
O maior alpinista português de todos os tempos.
Um verdadeiro herói nacional ficou este fim de semana, mais uma vez, na História.










